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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Audiência Pública debate alternativas de combate à estiagem

Durante o ato, os presentes elaboraram uma pauta de reivindicação que foi entregue à algumas autoridades nas dependências da Agência do Banco do Brasil de Espumoso

Com o intuito de debater ações para combater os efeitos da estiagem nos municípios da região, na manhã de quarta-feira, 12/01, o município de Espumoso sediou uma Audiência Pública Regional. O ato iniciou por volta das 09h, junto às dependências do Centro Cultural.

Estiveram presentes na ocasião, deputados estaduais, prefeitos, vice-prefeitos, sindicalistas e várias outras autoridades, que discutiram a questão dos efeitos da seca nos municípios do Rio Grande do Sul, de maneira direta nos municípios da grande região do Alto da Serra do Botucaraí e Alto Jacuí.

Prefeito Douglas Fontana

Dando início ao evento, o prefeito Douglas Fontana destacou que Espumoso fez tudo que estava ao seu alcance, tanto que foi um dos primeiros municípios do estado a decretar situação de emergência. “Somente em Espumoso, tivemos cerca de R$ 340 milhões de perdas, e isso destrói um município, porque além de o produtor estar com esse problema, temos o comércio, o prestador de serviço, a indústria, que vão se retrair também”.

Ele complementou que o município tem procurado ser parceiro e trabalha fortemente para fazer tudo que está ao alcance. “Essa não foi a primeira estiagem e não será a última, mas acredito que juntos, com calma e parceria, conseguiremos superar essa situação”.

Presidente da ACISE, Henrique Kleber

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Serviço de Espumoso (ACISE), Henrique Kleber, ressaltou que a estiagem não afeta somente os produtores e a parte rural dos municípios, mas também reflete no comércio e na área urbana. “Sabemos da magnitude da cadeia da agricultura, e essa situação de não plantar faz anos que não é presenciada. Por isso, estamos buscando soluções, olhando para frente e pensando em uma safra de inverno, de trigo, de cevada. Além disso, todas as instituições bancárias que concedem créditos vão trazer soluções financeiras para os produtores”.

Números e prejuízos

Durante a audiência, o presidente da Cotriel, Leocezar Nicolini, esteve apresentando alguns números estarrecedores sobre a realidade que a cooperativa tem passado com essa situação de estiagem. “Nos sentimos tristes por trazer números tão decepcionantes para a nossa realidade. Eu, por todos os anos que estou vivendo o agro, não me lembro de uma situação aonde chegamos no dia 12 de janeiro com muitas áreas a serem plantadas e de algumas que ainda precisam germinar. Por isso, nos reunimos nesse evento, a fim de nos mobilizarmos, pois precisamos de decisões emergenciais, uma vez que estamos com uma possibilidade climática assustadora pela frente”.

O presidente informou números compilados com relação ao milho e a soja, sendo que registrou uma quebra de 90% no milho e 53% na soja, e uma situação ainda pessimista, tendo em vista que a chuva ainda não se apresenta para amenizar esse cenário. “Esses números foram calculados até hoje, considerando que teremos chuvas regulares e bem distribuídas pela frente, pois a previsão nos mostra isso. Penso que neste momento precisamos acreditar em Deus, ter fé que esse cenário possa ser revertido e que a chuva volte para a nossa região, mas se isso não acontecer, esses números vão aumentar”.

Ao todo, são 28 municípios que compreendem a Cotriel, com um prejuízo já estimado em R$ 800 milhões de reais, segundo relata Nicolini. “São R$ 800 milhões que deixam de circular na cooperativa, no produtor, no comércio, enfim, que vão trazer resultados para os próximos anos e para as prefeituras dos municípios, que terão dificuldades com seu orçamento em 2023 e 2024. Esse cenário é uma realidade hoje, mas se estende e vai deixar reflexos ao longo dos anos, porque muita coisa que estamos reivindicando aqui vai ter que ser pago, vai se acumular e não queremos que tenham sobreparcelas para o produtor. O que queremos é que os produtores possam ter renda, condições de continuar produzindo e tendo resultados nas suas atividades e na propriedade”.

Presidente da Cotriel, Leocezar Nicolini

“A cooperativa está preparada para estar ao lado do associado nesse pior momento”

O presidente também afirmou que a razão da existência de uma cooperativa é o quadro social e a participação efetiva de uma sociedade. “Ao longo dos anos, dentro de um planejamento, a Cotriel foi se estruturando, aumentando a sua área de abrangência, e consequentemente teve um faturamento e resultados maiores. Sem dúvidas, a cooperativa está preparada para estar ao lado do associado nesse pior momento, porque nos momentos bons as coisas fluem de forma natural. Não podemos dizer que não temos uma preocupação, tendo em vista que temos um recurso bastante significativo na mão do produtor, através do fornecimento de insumos para a lavoura e produção de leite, mas essa é uma mão de duas vias, e assim como o recurso vai, ele tem que voltar, para que o ciclo continue acontecendo”.

Leocezar ainda complementou que a cooperativa está há vários dias discutindo internamente essa situação. “Estamos buscando alternativas junto às instituições e os governos, porque as cooperativas vão precisar de recursos para conseguir atender as necessidades dos seus associados”.

Agricultura Familiar

Membro da direção da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF/RS), Roberto Iop, também esteve presente na audiência e ressaltou que a mobilização superou suas expectativas. “Nós temos um compromisso muito grande com a agricultura, e essa mobilização, no meu entendimento, superou as expectativas, pois tivemos 32 entidades, 29 municípios, e autoridades a nível de estado e país participando. Agora, se inicia um segundo trabalho, de chegarmos ao governo do estado e federal para pedir que as medidas abordadas nesse ato sejam executadas”.

Membro da direção da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF/RS), Roberto Iop,

Roberto acredita que a partir da estiagem, um novo olhar e sentido será dedicado à agricultura. Ele ainda complementa que os bancos e instituições financeiras tem interesses de liberar créditos, mas se o agricultor estiver endividado, dificilmente terá esse crédito. “Por isso, defendemos uma pauta emergencial, porque não adianta falarmos longamente em dívidas, nós queremos pactuação. Portanto, estamos colocando que essa dívida tem que ser feita com dois anos de carência mais oito anos para pagar, com juro zero e bônus a adimplência. Para a agricultura empresarial, que está mais organizada, nós defendemos um juro de 4% porque o agricultor familiar é o que menos tem financiado, inclusive há alguns que não financiaram, que plantaram por conta. Então, nesse momento nós precisamos olhar para esse conjunto de agricultores, e precisamos levar essas lições da estiagem para o cotidiano”, pontuou.

Durante a audiência, os presentes elaboraram uma pauta de reivindicação, dentre elas, destaca-se a prorrogação de todas as dívidas dos agricultores pelo período de 180 dias; recebimento de crédito emergencial de R$ 20 mil por família; e a cedência de 10 toneladas de milho da Conab para o trato dos animais.

Após a audiência, uma caminhada com lideranças e agricultores foi realizada até a Agência do Banco do Brasil de Espumoso para a entrega da pauta de reivindicações. O documento final tem como destino o Ministério da Agricultura.

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