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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Associado, a Coagrisol deixará de existir?

Em assembleia, associados decidirão pela incorporação da Coagrisol pela Cotrijal

A Coagrisol divulgou na terça-feira, 23/11, o edital de convocação para Assembleia Geral Extraordinária que irá deliberar sobre o processo de incorporação pela Cotrijal. O ato será realizado no dia 23 de dezembro, ocasião em que a proposta passará pelo crivo dos associados.

Para isso, encontros regionais serão realizados para discussão do tema junto com os cooperados. As reuniões estão agendadas para acontecer entre os dias 06 e 20 de dezembro e serão direcionadas exclusivamente aos associados. Na ocasião, os produtores terão oportunidade de conhecer dados sobre a situação econômica da cooperativa, esclarecer dúvidas e conhecer o projeto conjunto das duas cooperativas, cuja união visa potencializar ganhos para ambas organizações e seus respectivos associados.

Segundo o presidente José Luiz Leite dos Santos, o edital de convocação passou pela aprovação do Conselho de Administração e Fiscal da Coagrisol, em reunião realizada no dia 18/11. “Hoje é um dia muito importante para nós, tanto para a Coagrisol quanto para a Cotrijal, pois é o momento em que as duas cooperativas comunicam a toda a comunidade que vamos passar por um processo no dia 23 de dezembro, aonde os cooperados terão a oportunidade de aprovar ou rejeitar a proposta de incorporação das duas cooperativas”.

Microassembleias

Leite afirma que muitas pessoas se mostraram contrárias à proposta de intercooperação, uma vez que não tinham sido realizadas reuniões com os cooperados. “É difícil convocar reuniões no momento em que as cooperativas estão no meio de uma safra. Hoje, estamos recebendo safra de trigo, aveia, canola, cevada, e a grande maioria dos nossos cooperados estão fazendo a implantação de uma safra de verão, de milho e soja, ou seja, seria muito ruim convocarmos reuniões para esse momento, por isso a ideia discutida no Conselho foi de convocar a partir do mês de dezembro”.

As microassembleias terão início a partir do dia 06/12, com o intuito de que os associados possam discutir e se familiarizar com toda a negociação da cooperativa. “Queremos que os cooperados fiquem a par dos movimentos que aconteceram no passado e do que o futuro nos reserva, para que ninguém diga que foi um processo que não teve a discussão e a participação do cooperado”.

De acordo com Leite, as microassembleias não possuem poder decisório de voto. “O voto será específico para a assembleia geral do dia 23, aonde todos os associados poderão votar. A participação nas reuniões é para que possamos deliberar sobre alguns assuntos, a fim de que o cooperado possa estar por dentro de tudo”.

De duas, uma

Leite ressalta que o processo de incorporação foi muito bem estudado pelas diretorias e passou pela aprovação dos conselhos de ambas cooperativas. “Desde o começo do processo, os conselheiros estavam sabendo, diferente do que muitos afirmam, e eles enxergam nesse processo algo diferente e que no sistema cooperativo do restante do Brasil é muito natural. No Rio Grande do Sul, infelizmente, isso não acontece, e eu não me recordo de nenhuma cooperativa do agronegócio que tenha se unido à outra. Há 10 anos, nós tínhamos 211 cooperativas agropecuárias, e em janeiro de 2021 tínhamos 124, imaginem que em dez anos 87 cooperativas deixaram de existir. Não é isso que queremos que aconteça com a nossa Coagrisol, e o futuro nos mostra que nos próximos dez anos teremos apenas 10 cooperativas fortes no Rio Grande do Sul, por isso temos que projetar o futuro das nossas cooperativas, e a melhor forma de fazer isso é fazendo com que as duas caminhem em conjunto”, afirma o presidente.

Ele complementa que para fortalecer as duas cooperativas, elas devem se tornar uma só. “Nós acreditamos que a única oportunidade que o cooperativismo agropecuário do Rio Grande do Sul tem é fazendo com que as cooperativas façam um processo de industrialização, igual ao Paraná, que é muito forte e tem a maior cooperativa da América Latina. Nós não somos industrializadas, e se continuarmos separadas, nunca conseguiremos fazer esse processo. Mas se unir as duas, teremos uma possibilidade muito grande, e eu acredito que em um curto período de tempo, nós conseguiremos dar início a um projeto de industrialização, pois teremos a matéria prima necessária e suficiente para fazer uma indústria e girar ela”.

Leite ainda destaca que as cooperativas tem a oportunidade de fazer algo diferente, algo que até agora nunca foi feito. “Temos que nos comparar ao que os nossos 135 sócios-fundadores fizeram em 1969, algo inacreditável, e o que nós estamos tentando fazer nesse ano, projetando o futuro, também é algo inacreditável, é para preservar as duas cooperativas, e fazer de duas cooperativas fortes, uma mais forte ainda”.

E continua: “Eu falei que 2021 ia ser o ano em que a Coagrisol mais ia faturar na história, e nós já batemos o recorde, mas temos que analisar o crescimento dos outros que compõem o setor agropecuário. Adianta termos crescido extraordinariamente se os outros cresceram bem mais que nós? Então tudo isso são fatores de análise, e que devemos estar atentos, para que lá na frente não terminemos com um empreendimento que foi construído por várias mãos”.

Escolha pela Cotrijal

Questionado acerca da escolha pela Cotrijal para a proposta de incorporação, o presidente falou que desde 2017 a cooperativa vem tentando vários modelos com coirmãs que tem uma proximidade grande, mas nenhuma prosperou. “Por incrível que pareça, a aproximação com a Cotrijal começou em 2020, e é uma aproximação vitoriosa tendo em vista que a Cotrijal é a maior cooperativa do Estado. Isso, porque em 2021 ela vai bater 4 bilhões e 500 milhões de faturamento, e a Coagrisol vai bater 1 bilhão e meio de faturamento, se nós juntarmos as duas vai dar 6 bilhões, aonde já estaremos entre as 10 maiores cooperativas do Brasil. Hoje, com as duas separadas, não existe nenhuma das cooperativas do Rio Grande do Sul entre as maiores”.

Leite afirma que a melhor decisão que ambas cooperativas poderiam ter tomado é o processo de aproximação e união. “Estamos fazendo um projeto de incorporação com duas cooperativas fortes do Estado, claro que uma sendo a maior e a outra média, mas precisamos olhar para o futuro e enxergar algo diferente. Hoje, o melhor que ambas cooperativas poderiam ter feito é esse processo de aproximação e a oportunidade de unirem-se”.

Saúde financeira

Ao falar sobre a atual saúde financeira da cooperativa, Leite garante que em 52 anos de história, nenhum cooperado ficou sem receber produto agrícola, nenhum colaborador teve atrasos no salário, e a Coagrisol não atrasou nenhum dia os seus impostos. “Quando falamos em impostos, nos reportamos a 20 milhões pagos para o município, para o Estado e para a União. Além disso, em 52 anos de história, nenhum parceiro que vende para nós ficou sem receber aquele produto que vendeu, e isso mostra uma saúde financeira boa”.

Ele também afirma que muitos comentários foram feitos injustamente. “Muitos acabam falando o que não sabem, e eu fico triste com pessoas espalhando maldade. Falam que a Coagrisol está quebrada, e isso é uma mentira. Será que se estivéssemos quebrados a Cotrijal ia fazer uma parceria? Nunca. O que podemos dizer é que até o lançamento da nossa aliança estratégica, a Coagrisol trabalhava com um faturamento de 80 sacas por dia de produtos agrícolas. Hoje, trabalhamos com um faturamento de 1.000 sacas, cada uma no valor de R$150,00, e isso mostra um pouco da saúde financeira da cooperativa. Claro que isso faz parte da estratégia de as duas cooperativas caminharem em conjunto, e automaticamente a saúde financeira da Coagrisol hoje é boa, pois temos condições de pagar e honrar com todos os nossos compromissos”.

Coagrisol deixará de existir

Com a aprovação da incorporação entre as cooperativas, a marca Coagrisol deixará de existir, causando um impacto nos municípios em que atua, especialmente para Soledade, que não terá mais a sua cooperativa, que é um grande orgulho e uma das maiores empresas da cidade.

De acordo com o presidente, no que se refere à arrecadação, os municípios não vão perder em nada. “Eu acredito que vai melhorar porque tem muitas pessoas hoje que deixam de entregar para a Coagrisol porque não gostam do presidente, do vice, ou da própria cooperativa, e sendo Cotrijal acredito que vamos poder receber uma quantidade maior de produtos. Assim, automaticamente, os municípios terão um retorno significativo”.

José Luiz acredita que a Coagrisol não vai deixar de existir, mas vai ficar na mente e na memória das pessoas. “Enquanto nós e os 14 mil cooperados viverem, a Coagrisol vai existir. A Coagrisol só vai ser Cotrijal se os cooperados aprovarem, mas será uma marca cooperativa. Podem ter certeza que o maior interessado em não perder a Coagrisol é o presidente, porque ele não vai mais existir e não terá mais seu salário. Uma das pessoas que mais deveria estar contra esse projeto seria eu, mas estou acreditando muito e vendo um futuro diferenciado para as cooperativas”.

Decisão é dos associados

Se ocorrer de os associados optarem pela reprovação da proposta, os rumos da Coagrisol deverão ser modificados. “Se os associados decidirem pelo não, provavelmente será escolhido outro presidente, pois eles não vão querer um presidente que está trabalhando em um projeto de unir duas cooperativas. Mas quero deixar claro que não podemos esperar as cooperativas quebrarem para depois juntá-las, temos que aproveitar que as duas estão fortes e pujantes para fazer um negócio muito grande, e tenho certeza que todos vão ganhar com isso”.

Caso os cooperados decidam pela incorporação, as cooperativas serão uma só a partir do dia 28 de fevereiro de 2022. “Se o sim vencer, o processo vai até 28 de fevereiro, nesse dia, depois de aprovado os números da cooperativa de 2021, faz a virada da chave e o presidente, vice, diretores e conselheiros da Caogrisol deixam de existir, não recebem mais remuneração, e a Cotrijal assume os trabalhos”, explicou Leite.

Colaboradores

Em relação ao futuro dos atuais colaboradores da Coagrisol, o presidente ressalta que reuniões internas foram realizadas para comunicar os funcionários, a fim de que pudessem entender como seria esse processo. “Com as unidades de atendimento não temos problemas, porque elas vão continuar atendendo. O que nós temos impasses é na área administrativa da cooperativa, mas essas pessoas estão sendo remanejadas para as unidades. O restante, que não for absorvido nas unidades, irá trabalhar no Centro Administrativo da Cotrijal em Não-Me-Toque, aonde teremos um ônibus que vai sair todos os dias de Soledade para levá-los trabalhar naquele município”, destaca Leite lembrando que todos terão garantia de emprego, mas que depende do desejo de cada um.

Ele ainda afirma que a Coagrisol não está sendo vendida, mas que a Cotrijal, se for aprovado pelos associados, vai assumir os ativos e passivos da cooperativa. “Se eu vender a Coagrisol, eu vou ter que pagar o valor da venda para os 14 mil associados. A união da Coagrisol e da Cotrijal é diferente, pois não envolve transação financeira, nós estamos juntando as duas cooperativas para formar uma mais forte e robusta”.

E continua: “A Cotrijal vai assumir tudo o que a Coagrisol tem de bens, assim como as dívidas. Vai assumir a cota do produtor, os grãos, os produtos depositados na Coagrisol, por exemplo, se o associado tem 1.000 reais em cota na Coagrisol, será transferido para a Cotrijal. Tudo será transferido, com exceção do presidente, vice-presidente, diretores e conselheiros”.

Sentimento do presidente

Ao falar sobre o sentimento de quem assumiu a cooperativa e agora está dando um novo destino para a Coagrisol, José Luiz salienta que fazer um processo de intercooperação exige muita força e audácia.

“Se eu tivesse interesses pessoais por trás disso, nunca teria conseguido. Nós estamos fazendo um processo que vai marcar o cooperativismo, uma vez que o cooperativismo agropecuário do Rio Grande do Sul precisa desse movimento. Sei que o comentário de que o Zé quebrou a cooperativa e que a vendeu vão ficar, mas são tudo inverdades, o que realmente está acontecendo é um processo maravilhoso da união de duas cooperativas”, complementa.

Leite garante que a incorporação, se for aprovada, em cinco anos vai estar no auge do cooperativismo do agronegócio. “O cooperativismo do agronegócio tem uma importância muito grande para o desenvolvimento do país, e nós só vamos conseguir continuar fortes se unirmos forças, caso contrário, vamos diminuir cada vez mais. Temos cooperativas no nosso Estado que ainda estão vivas por interesses particulares, e eu estou abrindo mão de ser o presidente da Coagrisol para formar uma cooperativa que vai ficar na história e vai ter vida por muitos anos”.

Confira o calendário de reuniões:

06/12 – Região 11 (Lagoa Vermelha, Água Santa e Capão Bonito do Sul), às 19h, na sede da Afecosol, em Lagoa Vermelha.

07/12 – Região 09 (Vera Cruz, Candelária, Cachoeira do Sul e Rio Pardo), às 19h, no CTG Candeeiro da Amizade, em Vera Cruz.

08/12 – Região 10 (Camargo, Casca, Gentil, Marau, Vila Maria e Santo Antônio do Palma), às 19h, no CTG Vitor Francisco Maroni, em Vila Maria.

09/12 – Região 02 (Arvorezinha e Itapuca), às 19h, no Restaurante Fornari, em Arvorezinha.

10/12 – Região 05 (Nova Alvorada), às 19h, no CTG Rancho da Amizade, em Nova Alvorada.

13/12 – Região 01 (Barros Cassal e Lagoão), às 19h, na sede da Afecosol, em Barros Cassal.

14/12 – Região 06 (Ibirapuitã e Nicolau Vergueiro), às 19h, na sede da Afecosol, em Ibirapuitã.

15/12 – Região 07 (Mormaço), às 19h, no CTG Teófilo Schroeder, em Mormaço.

16/12 – Região 03 (Soledade), às 19h, no Auditório Egydio Pederiva, em Soledade.

17/12 – Região 04 (Tunas e Jacuizinho), às 19h, no Salão da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Tunas.

20/12 – Região 08 (Fontoura Xavier e São José do Herval), às 19h, no GAN Carreteiros da Liberdade, em Fontoura Xavier.

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