Entrevista

Flavio Dallagus


Desde que morava em Soledade, o filho do casal Valdereza e Domingos Luiz Dalagasperina gostava de voleibol. No tempo em que permaneceu na cidade, Flavio criou uma escolinha onde dava aulas de vôlei para meninas adolescentes e participou de vários campeonatos com o time, dentro e fora de Soledade, sempre com a intenção de passar os seus ensinamentos sobre o esporte. Hoje, todo esse conhecimento é repassado para as meninas em língua inglesa, porque Flavio mora em Dallas. Confira a entrevista que ele concedeu ao Jornal Informativo Regional, em que conta como é ensinar voleibol fora do Brasil.


Jornal Informativo Regional - Desde quando vem a sua paixão pelo vôlei?

Flavio Dallagus - Minha paixão pelo vôlei começou aos meus 14, 15 anos. Competia no futebol, pingue-pongue, atletismo, salto em altura e 100m, andava de bicicleta e corria meia maratona. Durante a noite, ia até um ginásio esportivo "das Irmãs", em Getulio Vargas, onde morei três anos. Lá, ao redor da quadra olhando uma turma de amigos adultos jogar e quando faltava alguém, eles perguntavam: "quer jogar alemão?", e eu ia. Nessa época, também passei a jogar vôlei para a escola, aí começou minha paixão. Não queria fazer mais nada a não ser jogar voleibol. 


Jornal I R - Como surgiu a oportunidade de ir morar e trabalhar com o vôlei fora do Brasil?

Flavio Dallagus - Inicialmente, vim para Dallas para visitar meu irmão e ver a possibilidade de ingressar numa faculdade, alguma coisa relacionada à Educação Física. A última coisa, talvez, que eu pensei em fazer aqui era trabalhar com voleibol, pois quase não vi nada a respeito durante um ano morando aqui. Mas um dia, no meu local de trabalho, reconheci uma jogadora da seleção Brasileira e durante nossa conversa fui convidado a trabalhar no clube dela. Lá, eu aprendi que o universo do voleibol aqui é imensamente maior que no Brasil. Hoje, eu trabalho num clube que ajudei a formar, o RISE (Rockwall Indoor Sports Exposition), em que o vôlei era mais recreativo, então a minha missão era criar times mais competitivos. E estou aqui até hoje.


Jornal I R - Quais as vitórias que você obteve com o vôlei?

Flavio Dallagus - Eu acumulo algumas funções que vão além de treinador. Tenho incumbências como diretor técnico, diretor de árbitros em nossa competição interna, treino times recreacionais que jogam o nosso torneio interno e o Club. Uma das conquistas que me orgulho muito foi no ano de 2017, onde meu super 12's ganhou o maior torneio dos Estados Unidos e talvez o maior do mundo, o LoneStar, que é gigantesco. Para se ter noção, é jogado no centro de convenções de Dallas e tem 140 a 160 quadras. Nesse ano, minha conquista foi classificar meus times (13's e 16's) para os Regionais. Tenho dezenas de troféus e placas ao longo do meu tempo aqui, mas a minha maior vitória com certeza foi vencer as dificuldades, me superar e atingir meus objetivos.


Jornal I R - Como você se sente em passar todo seu conhecimento de vôlei para crianças e adolescentes?

Flavio Dallagus - Me sinto realizado. Eu vejo como é importante passarmos aos outros o que sabemos. Por isso, continuo estudando, fazendo pesquisas, falando com outros profissionais e sempre me atualizando. Acredito que essa é a melhor forma de se sentir vivo e atuante. 


Jornal I R - Você pensa em voltar a morar em Soledade novamente?

Flavio Dallagus - Tenho saudades da minha terra. Amo os amigos que deixei, mais não penso em voltar. Me estabeleci por aqui. Tenho esposa, amigos, trabalho e o meu irmão, que tem uma família bem grande, cinco no total. Acredito que seria difícil adaptar-me novamente no Brasil.