Série de Reportagens

Anarquismo


Os sistemas político-econômicos orientam a organização de uma sociedade e seu espaço, além de estabelecem as relações entre os indivíduos no processo de produção, distribuição e consumo. Existem diversos sistemas, alguns considerados mais contemporâneos pelo fato dea história sempre ser modificada. Logo, é importante que cada geração tenha essa vivência e ganhe conhecimento para que não haja manifestações equivocadas.

Tendo em vista esse fato, a partir dessa edição a equipe do Jornal Informativo Regional fará uma série de reportagens,intitulada “Do social ao capital”, sobre os tipos de sistemas político-econômicos. Nela,serão apresentadas definições sobre anarquismo, comunismo, conservadorismo, fascismo, liberalismo, nacionalismo e socialismo. Não cabe aqui avaliar qual o melhor e sim, contar quando cada um surgiu e falar a respeito de suas influências culturais entre outras características, apenas como forma de conhecimento.

Para a produção dos textos, foram coletadasopiniões de especialistas da área, mais especificamente do curso de Pós Graduação em Ciências Sociais da UPF. A intenção dessas reportagens é fazer as pessoas lerem com a cabeça aberta e sem pré-conceitos, a fim de entender o real significado de cada tipo de sistema. Boa leitura!


Anarquismo

“Ao contrário do que prega o senso comum, Anarquismo não é desordem ou bagunça, mas sim autonomia pessoal, ordem e harmonia social”. Essas palavras são da professora Fabiela Provensi e definem exatamente o que as pessoas pensam sobre esse sistema. Uma possível definição?Conjunto de princípios políticos, sociais e culturais que defende o fim de qualquer forma de autoridade e dominação, ou seja, prezam por uma sociedade baseada na liberdade total e responsável.

O movimento Anarquista surgiu na metade do século XIX com uma ideia otimistasobre a natureza humana.“Esse sistema é dotado de razão, inteligência, bondade e capacidade para governar sem a necessidade do Estado. Isso significa dizer que não depende do poder executivo, legislativo e judiciário, enfim, da autoridade”, explicou Fabiela.

Assim como outros sistemas, o Anarquismo também tem seus pensadores e influenciadores. Um dos principais foi Pierre-Joseph Proudhon (1809 –1865), que por meio da sua obra “O que é propriedade?”, propôs críticas contundentes ao sistema capitalista. Outro importante personagem foi Mikhail Bakunin (1814–1876). Um dos maiores seguidores das ideias de Proudhon, não aceitava a tese de que o alcance de uma sociedade comunista passava pela manutenção de um Estado transitório. 

Os Anarquistas defendem uma sociedade baseada na liberdade dos indivíduos, na propriedade coletiva e numa forma de governo baseada na autogestão. “Para os Anarquistas, o Estado é nocivo, uma ofensa aos princípios de liberdade e igualdade. Apesar de ter um caráter utópico, vale lembrar que, se hoje temos uma sociedade estruturada com a figura do Estado, esta nem sempre foi assim”, revelou Fabiela.

O símbolo do Anarquismo com a letra “A”tornou-se popular a partir de maio de 1968, ano em passou a ser utilizado de maneira mais recorrente. Hoje, é usado por grupos que pregam pela descentralização do governo.“A história nos mostra que as sociedades, ao longo dos séculos, passaram por períodos de grandes transformações, o que sugere que o mundo ainda é passível de mudançasque se fazem necessárias”, finalizou Fabiela.