Empreendedorismo

Hidroponia: o cultivo sem solo

A empresa soledadense que utiliza a técnica do plantio suspenso.


O cultivo de plantas fora do solo é uma técnica que, de um tempo para cá, vem ganhando a preferência de muitos produtores. A hidroponia, como é chamada, é uma espécie de plantio em que as raízes ficam suspensas, mas mesmo assim recebem solução nutritiva balanceada, com água e todos os nutrientes essenciais para o seu desenvolvimento. Em Soledade, a empresa WGreen Vegetais é pioneira em hidroponia.

O proprietário do estabelecimento, Wolnei Teichmann contou que iniciou o seu empreendimento sem entender nada do assunto. “Comecei sem saber absolutamente nada sobre hidroponia. Era apenas eu e meu irmão, fazendo tudo sozinhos e manualmente, mas com muito trabalho e esforço, conseguimos. Em 9/2/2009 começamos a montagem da estufa e em 31/03/2009 plantamos a primeira muda. Atualmente, trabalho com alface, rúcula e agrião”.

A ideia de abrir uma estufa partiu do próprio Wolnei. “Em 2008 eu trabalhava com pedras e naquele ano bateu uma crise muito grande no país, fazendo com que as vendas diminuíssem bastante. Com esse ramo descartado, busquei alternativas por quase um ano. Como sou Engenheiro Agrônomo, estava procurando alguma coisa nessa área e, através de muitas conversas, chegou ao meu conhecimento a técnica da hidroponia. Por meio de algumas pesquisas, vi que era viável e decidi fazer”, revelou.

Antes de abrir de fato a sua empresa, Wolnei fez um estudo de mercado na cidade e coletou algumas informações na internet. Feito isso, foi só encontrar o local. “Conversei com meu sobrinho e ele me ofereceu uma área lá fora. O dinheiro para investir foi através do banco, que financiou 60%, e o restante fiz por minha conta de risco. Então, com uma aposta bem alta em mãos, nada podia sair errado. No início foi muito complicado até que eu entendesse todos os detalhes e conseguisse montar toda a estrutura”, revelou.

Segundo Wolnei, na hidroponia existem pequenos detalhes que fazem grande diferença. “Para quem está começando, leva um tempo até entender exatamente como as coisas funcionam, mas aos poucos fomos descobrindo. A partir de então, começamos a plantar e entregar as alfaces de carro mesmo, dentro da cidade e, com o tempo, melhoramos a maneira de transportar o produto. No início, entregávamos em torno de 15 caixas de alface e, conforme fomos aumentando as bancadas, a produção também cresceu”.

Ao final de 2009, Wolnei sofreu uma baixa. “Nesse ano, meu irmão saiu da sociedade e meu funcionário também e para mim foi um impacto muito grande. Então, bateu aquele desespero de como que eu iria conseguir fazer tudo sozinho, desde plantar até entregar. Naquele momento pensei em parar porque achei que não iria dar conta, mas não desisti. Aos poucos, fui contratando novos funcionários e a coisa engrenou novamente”.

Até o final do segundo ano com a empresa, Wolnei já estava indo muito bem. No entanto, o mercado em Soledade já não comportava mais a sua produção, pois estavam sobrando alguns produtos. “A saída foi buscar clientes fora da cidade, então decidi entregar em Carazinho. A partir desse momento, as coisas começaram a render muito bem. A nossa clientela já estava bem grande, abrangíamos muitos municípios e resolvemos ampliar a empresa”, explicou.

Porém, em 20/9/2012 ocorreu um vendaval e derrubou metade da sua estrutura. “Foi um impacto muito grande e para poder me reerguer, precisei vender 30% da empresa para minha irmã e meu sobrinho, que ficaram sócios a partir daí. Percebendo que antes desse acidente tudo estava indo bem, eu já sabia produzir e entendia como tudo funcionava, decidi ser audacioso. Além de trazer a empresa para a cidade, resolvi dobrar tudo o que eu tinha até aquele momento”.

Com muita consciência do que tinha feito, Wolnei não se deixou abater. Ele não só conseguiu se reerguer como deu a volta por cima. “Percebendo que tudo tinha se encaminhado, dobrei novamente a estrutura da minha empresa e, de quebra, comprei a área também”. Depois desse dia, as coisas melhoraram cada vez mais. Hoje, o empresário conta com aproximadamente 20 funcionários diretos, em torno de 330 clientes e uma abrangência de 18 municípios gaúchos. 

Com a ideia de não prejudicar os seus clientes, Wolnei não utiliza nenhum tipo de agrotóxico nas suas verduras. Por meio de uma atitude sustentável, reaproveita caçambas de caminhão para guardar as verduras e como escritório e um ônibus como refeitório. “Durante todo esse tempo, até estar tudo estruturado com o que temos hoje, tivemos um transtorno muito grande e um custo bem alto também. Mas o retorno está sendo muito bom”, garantiu.

Ao final da conversa, Wolnei deixou um recado: “Toda vez que acontece um problema, é uma dificuldade. Quando ocorre pela segunda vez, é um aborrecimento. Na terceira, já se torna uma situação corriqueira, porque você já lidou com isso antes e sabe como resolver. Nesse meio tempo, passei por muitos aborrecimentos, mas estamos precavidos para que não aconteça novamente”, finalizou.