Entrevista

Zortea & Dall Cortivo


Ter a responsabilidade de defender pessoas ou empresas é uma tarefa um tanto quanto árdua para um advogado. Por vezes, esse profissional é mal visto pela sociedade por, de repente, ter que defender algum cliente “maldoso”, que as pessoas julgam bandido ou assassino e mesmo assim, o advogado precisa desempenhar a sua função.

Tendo em vista o Dia do Advogado, que é comemorado dia 8/8, a equipe do Jornal Informativo Regional entrevistou os sócios da empresa Zortea & Dall Cortivo, Douglas Dall Cortivo dos Santos, Bruno Borges Zortea e Pauline Isopo Marodin. Nessa conversa, os jovens profissionais falaram um pouco sobre a sociedade, suas carreiras, expectativas e muito mais.

Jornal Informativo Regional - Desde quando surgiu a parceria da sociedade?

Douglas Dall Cortivo - A parceria no formato de empresa com a denominação Zortea & Dall Cortivo surgiu em 2012, quando deixamos a sociedade anterior que mantínhamos com os advogados Sebastião Fritsch Sobrinho e Osmar Fritsch. Iniciei minha experiência como estagiário com esses advogados em setembro de 2000, quando fazia apenas um mês que estava na faculdade. Lá tive a oportunidade de adquirir experiência desde muito cedo, com o contado diário com os clientes e elaboração de documentos jurídicos como procurações, petições iniciais, recursos, acompanhamento de audiências e rotinas de encaminhamento de benefícios junto ao INSS. Em 2004 a Pauline iniciou a trabalhar conosco como Secretária. Em seguida, tendo ingressado no curso de Direito, passou a ser nossa estagiária. Me formei no ano de 2005 e com a saída da sociedade de um dos anteriores sócios aprovado em concurso para a Promotoria de Justiça, surgiu a necessidade de um novo advogado para melhor distribuição das responsabilidades, já que o escritório também era procurado para ações trabalhistas e cíveis em geral. Com isso, sugeri aos colegas a contratação do Bruno, que havia há pouco se estabelecido com escritório em Soledade, que era uma pessoa que eu conhecia há muito tempo e que sabia da sua competência. Assim, em 2006, Bruno passou a fazer parte daquela sociedade que foi mantida até fevereiro de 2012, quando, então, a partir de março mudamos para o atual endereço onde funciona a Zortea & Dall Cortivo. Em agosto de 2012, Pauline concluiu o curso de Direito e passou a condição de advogada contratada, até junho de 2018, quando foi admitida como associada.

 

 

Jornal I R - Qual o maior aprendizado que vocês tiveram nesta trajetória?

Douglas Dall Cortivo - Certamente, a grande lição depois de dezoito anos vivenciando a rotina de um escritório de advocacia é a de que há tempo para tudo. Logo que nos formamos, temos uma ansiedade enorme por reconhecimento, estabilidade e visibilidade. Porém, como a relação advogado/cliente é uma relação estritamente de confiança, essas coisas demandam paciência e foco no objetivo. A cada dia que um novo cliente nos procura, estamos renovando esse voto de confiança que as pessoas nos dão para gerir seus problemas, sua vida, seu patrimônio, suas relações familiares. E isso traz uma responsabilidade imensa com o trabalho que iremos realizar, com a honestidade e correção das orientações que passamos, com a total transparência na relação com o cliente, a fim de que ao final, essa postura repercuta na fidelização deste cliente e no seu ânimo em nos referenciar para novos trabalhos. Esse é um processo lento, gradual, que exige perseverança e que não permite o cometimento de erros. Se ao final da relação o cliente se sente traído, enganado, o advogado não consegue subir um novo degrau em sua história. E isso não está relacionado ao resultado final do processo e sim a forma como a relação foi mantida durante o exercício do encargo. Nem sempre se vencem as ações, mas o cliente precisa estar ciente do risco que corre. Esse é o grande aprendizado que os anos de trabalho renovam e acrescentam a cada dia. O fato de que na atual realidade do mercado de trabalho do advogado, a transparência com o cliente deve ser o requisito primeiro e essencial para que o tempo traga o reconhecimento profissional de que tanto almejamos lá no início da carreira.

 

 

Jornal I R - Quais as maiores conquistas?

Bruno Borges Zortea - Credibilidade. De nada nos adiantariam vitórias em ações de valores expressivos se não tivéssemos paz de espírito. Nossa pauta de atuação não é medida pelo valor envolvido no processo e sim pela consideração ao cliente em optar pelo nosso trabalho entre tantos e inúmeros outros colegas. Ao longo dos anos, a profissão de advogado vem se desgastando perante a sociedade, seja pelo número excessivo de profissionais, seja por atitudes antiéticas cometidas por alguns colegas. Muitas vezes, o advogado é taxado de criminoso porque aparece na defesa de alguém contra quem pesam acusações de qualquer ordem. Porém, essa é a vida do advogado. Aprendemos que a todos é garantido o direito de defesa e não nos faz pessoas de má índole o fato de termos que se debruçar na defesa de algum crime. Nesse contexto, certamente nossa maior conquista é saber que mantemos excelente relacionamento com nossos clientes, não apenas durante o período de tramitação do processo, como também por anos depois disso. Saber que, da mesma forma, desfrutamos de bom relacionamento com todos os colegas advogados, com os servidores do Judiciário e do Ministério Público, com os servidores do INSS. Essa é para nós a grande vitória, saber que o pouco que conquistamos foi com o respeito a todos os personagens envolvidos em nossa vida.

 


Jornal I R - Quais as dificuldades enfrentadas até o momento?

Pauline Isopo Marodin - O acirramento da competitividade do mercado de trabalho. Sem dúvida, hoje a advocacia é um ramo em que o número excessivo de profissionais torna a captação de clientes extremamente competitiva, especialmente em face das restrições legais a que estamos sujeitos quanto a publicidade e divulgação do trabalho. Além disso, com a informatização dos processos, cresceu a agilidade na sua tramitação e julgamento, o que exige a manutenção de uma estrutura de trabalho com maior número de pessoal e equipamentos, refletindo nos custos da empresa. Some-se a isso que esta mesma informatização acabou por propiciar o acesso à informação especializada ao leigo. Muitas vezes, o cliente já sabe que o processo teve uma movimentação e liga cobrando o advogado o seu conhecimento sem que sequer o advogado ainda tenha sido intimado desta decisão, que é a forma legal pela qual os prazos de fato se iniciam, causando, assim, embaraços e desentendimentos, pois o cliente julga seu advogado desinformado. Por isso, a constante vigilância e atualização sobre tudo o que acontece no dia a dia do escritório também é uma questão que, embora não seja tratada como uma dificuldade demanda trabalho, ainda mais atento por parte de todos os integrantes do escritório. Por fim, embora a informatização dos processos tenha trazido agilidade, aos olhos do leigo que acompanha diariamente seu processo pela internet, a Justiça ainda é lenta. Traduzir e esclarecer todo esse contexto para o cliente certamente é tarefa que exige muita dedicação.

 

 

Jornal I R - Qual o maior legado que vocês pretendem passar para os futuros advogados?

Douglas, Bruno e Pauline - Ainda somos muito jovens, de modo que não nos vemos como referência para um legado aos colegas. Muito pelo contrário, nós é que nos espelhamos nos colegas mais experientes, procurando copiar em suas atitudes e modo de conduzir a profissão àquilo que possa ser transposto para a nossa filosofia de trabalho e para o nosso dia a dia. Porém, se pudéssemos hoje falar em uma marca a nosso respeito para nortear a atuação dos que estão começando, certamente gostaríamos de servir como experiência de perseverança e força de vontade. Para grande maioria das pessoas, nas quais nos incluímos, nada na vida vem de presente, de modo fácil. É preciso dedicação, trabalho, fé em nossos objetivos. É preciso acordar todos os dias e acreditar que é possível, que existe uma saída. É preciso jamais arredar dos nossos valores pessoais, por mais sedutor que o dinheiro, fama e reconhecimento possam ser. Tudo o que vem muito fácil vai muito fácil também. Nada que não seja construído com bases sólidas tem muita duração. Reputação e reconhecimento levam muitos anos para serem construídos e podem ser completamente desperdiçados com o mais mesquinho dos erros.