História de Vida

Voando alto

A soledadense que mora em Dubai, mas que não perdeu a essência brasileira


Já imaginou um lugar estrangeiro, em que a vida pode ser vivida igual aqui no Brasil e ao mesmo tempo, ser regada de muita aventura e atrações diferenciadas? Ou então um lugar em que as pessoas estivessem eternamente de férias, com atividades desde acampamento no deserto até esqui no gelo? Ou ainda, escolher uma atividade diferente por final de semana, sem repetir nenhuma? Seria maravilhoso, né?

Pois esse lugar existe e chama-se Dubai. Localizado nos Emirados Árabes Unidos, na costa do Golfo Pérsico, é a maior cidade da região e abriga diversos estrangeiros, inclusive brasileiros. É o caso da soledadense Natália Almeida de Pellegrini Ibri, que por conta do emprego do seu esposo, que é piloto, mudou-se de estado algumas vezes e há pouco mais de três anos, tem essa cidade como moradia.

“Nasci em Soledade e quando pequena fui morar em Porto Alegre. Lá, fiz faculdade de turismo e conheci meu atual marido, que é piloto. Depois de muitos anos de casada, virei comissária de voo. Em função do seu trabalho, mudamos de Porto Alegre para o interior de São Paulo e ficamos lá por seis anos. Engravidei da minha primeira filha e larguei a profissão para me dedicar a ela. Depois de um tempo, meu marido trocou de empresa e hoje é piloto em Dubai”, contou.

Lá, a língua oficial é o inglês e o árabe. Mas segundo Natália, essa não foi nem de longe o maior problema que ela enfrentou, muito menos morar em um país estrangeiro. “Para mim, a maior dificuldade foi ficar longe da família. Dubai foi surpreendente para mim, mas pelo lado positivo, pois tudo é diferente. Desde religião, cultura até língua, comida e clima”, revelou.

Natália acredita que as coisas aconteceram exatamente como tinha que ser. O sonho em ser comissária veio desde criança, porém o medo em deixar a mãe preocupada, já que ela tinha muito medo de avião, quase fez com que a jovem deixasse esse desejo de lado. “Mas aí, a vida foi seguindo seu rumo e tudo foi dando certo para que eu realizasse esse sonho. Fiz faculdade de turismo, trabalhei no aeroporto e na área de eventos. Todas essas profissões ligadas ao meu grande sonho: ser comissária de voo. E deu certo”.

A ideia de morar em um país estrangeiro assustou um pouco Natália. No entanto, o que mais pesou em sua decisão foi não ter o apoio da família. “Inicialmente, todos foram contra. Então bateu a dúvida se eu estava fazendo a coisa certa. Mas para mim, ir para lá nunca foi uma aventura, pelo contrário, sempre foi uma ideia muito pé no chão. Apesar das dificuldades, nunca pensei em voltar porque foi muito mais fácil do que eu imaginava”, afirmou.

Na realidade, faz parte do ser humano colocar pré-conceitos frente a lugares ou culturas diferentes, mesmo sem antes conhecer. “Em Dubai tem tanta cultura diferente e mesmo com os costumes locais, todos vivem muito bem. Aqui, mais de 80% da população vem de fora e todos se respeitam e convivem em perfeita harmonia. E isso é muito legal. Uma coisa bem interessante é que eu me sinto muito mais livre em Dubai do que no Brasil, pois todos são diferentes e, ao mesmo tempo, podem ser exatamente como são”.

Com relação ao trabalho, Dubai possui leis bem severas. Natália contou que para poder morar na cidade, é preciso ter o visto de trabalho. “No meu caso, não posso trabalhar porque tenho visto de esposa, já que resido aqui por conta do trabalho do meu esposo. Caso eu queira trabalhar, tenho que mudar o visto. Para mim, não me incomoda nenhum pouco não trabalhar, pois já me ocupo bastante em cuidar dos meus três filhos. Mas para não ficar totalmente parada, faço artesanatos e vendo apenas para as minhas amigas”.

Sobre ter algum tipo de arrependimento ou vontade de voltar, Natália foi clara e confiante na resposta. “Não. Morar em Dubai é uma experiência maravilhosa, pois conheci muitas pessoas de diversas culturas e países. Em princípio, estou muito feliz onde estou e isso não tem preço. Minha intenção, agora, não é voltar a morar no Brasil, mas o futuro não nos pertence e nunca sabemos o que pode nos acontecer”.

Antes de terminar o bate papo, Natália fez questão de deixar um recado. “Por mais diferente que as pessoas sejam, por cultura, religião ou qualquer outro fator, a essência do ser humano é sempre a mesma. No fundo, somos um só, mesmo diante das diferenças. Todos estamos sempre juntos”, finalizou.