Empreendedorismo

Da fatalidade ao sonho

A empresa que surgiu e se fortaleceu pela obra do destino


“É o Rio Grande gauchada amiga / De bota e bombacha, tapeando sombreiro / Dobrando os pelegos tapado de terra”. E assim, conforme a música, a West Harla vai mantendo a tradição e construindo sua história em Soledade. Com 20 anos de trajetória, a empresa acredita no diferencial dos seus calçados, poissão fabricados em couro, um material de alta qualidade, resistente e forte.

Dilvania de Moraes Ottoni, filha do atual proprietário da empresa, Euzébio Batista Ottoni,que ajuda o pai na loja, contou que o empreendimento foi criado a partir da sucessão da antiga fábrica calçadista Harla. “Meu pai trabalhou na Harla por 23 anos. Com problemas financeiros, a empresa decretou falência e fechou. Em 1998, ele ficou de fiel depositário do maquinário e, quando tudo foi a leilão, ele adquiriu as máquinas e fundou a atual empresa West Harla.O nome mantém a fama dos produtos fabricados e conhecidos por toda a região”.

A empresa fabrica calçados em geral, mas o carro chefe é a bota campeira. Segundo Dilvania, que é técnica em contabilidade e ajuda o pai desde 2001, o principal objetivo em fabricar calçados é atender o comércio varejista. “Nossas botas já foram levadas para todos os cantos do mundo, pelos nossos próprios clientes e isso para nós é muito gratificante. Apesar de possuirmos maquinários para facilitar o trabalho, fabricamosnossos produtos de modo artesanal, para ter um diferencial”, explicou.

Atualmente, a empresa conta com aproximadamente 22 funcionários e participa da Exposol. No entanto, todo esse reconhecimento não foi de uma hora para outra. “As dificuldades que enfrentamos foram muitas para conseguirmos esse padrão, mas posso destacar que a principal barreira foi conseguir o pavilhão com a Prefeitura. Foi uma época bem difícil, pois tínhamos que pagar aluguel e os tramites com a instalação da fábrica e ainda para mantê-la, eranecessário uma estrutura especial”, revelou.

A partir de uma fatalidade, um sonho pode ser realizado afinal, o empreendimento vem de um legado deixado pela antiga Harla. “Essa loja sempre foi referência de marca de calçados e hoje, com a continuação dos trabalhos, a West Harla gera emprego e renda para região. Mantemos a tradição gaúcha com botas campeiras e esperamos continuar assim. Não podemos deixar essa cultura morrer, temos que torná-la cada vez mais forte, levando o símbolo do gaúcho de pai para filho”, concluiu.