História de Vida

Doação de órgãos de soledadense proporciona vida

Por Marlusa Oliveira

Recentemente, há pouco mais de um mês, a cidade de Soledade comoveu-se com o acidente ocorrido com Luiz Henrique Müller Bueno da Luz, de 7 anos de idade, que caiu do cavalo em Espumoso, sofrendo traumatismo craniano e vindo a falecer dias depois em Passo Fundo, onde estava internado após passar por cirurgia. Yasmin Müller, irmã materna do menino, disse que a bela decisão da doação de órgãos foi da família (seus pais, avó materna, Cloé Colnaghi Müller e dela).

“Decidimos na hora que saiu o protocolo de morte encefálica que doaríamos os órgãos para ajudar outras crianças. Este anjo veio só para ajudar” pontuou. Sobre quais foram os procedimentos para sua efetivação, ela ressaltou que para ser confirmada a morte encefálica necessita-se de 3 protocolos dos médicos responsáveis, onde exames são realizados e repetidos, com a demora aproximada de 2 dias, e quando não há mais a existência de fluxo sanguíneo no cérebro sai o 3º protocolo confirmando a morte encefálica.

O período do início da doação até seu fim, conforme Müller, foi desde as 8h 15min, quando receberam o 3º protocolo, até às 23h do mesmo dia (14/12), pois, devido ao mau tempo, o táxi aéreo não conseguia decolar de Porto Alegre. “Com toda certeza eu recomendo a atitude da doação de órgãos. Para haver a conscientização sobre esse ato a mídia, incluindo as redes sociais, deveria ter mais espaço para isso e também saber agradecer às famílias, que apesar de estar passando por imensos sentimentos de pesar decide fazer o bem. Mas o que acaba ocorrendo é o enaltecimento de quem recebeu a doação e sequer agradecem aos doadores. Fica a reflexão de que se eles não existissem não existiriam os recebedores” argumentou.

Conforme Yasmin, de Luiz Henrique foram doados coração, fígado e dois rins que, por serem compatíveis, beneficiaram a 4 crianças que aguardavam na imensa fila de espera brasileira. A vontade de muitas famílias doadoras é de poder saber quem são os beneficiados com uma parte que permanece viva do corpo de seu ente querido e talvez até poder conhecer e conviver com essas pessoas.

Porém, de acordo com ela, geralmente não é divulgado para quem ou para onde vão os órgãos. “Seria maravilhoso se divulgassem para quem foram os órgãos, pois nós, as famílias, teríamos imenso prazer em rever e abraçar um pedacinho do que nos foi deixado aqui na Terra” disse a irmã dele. Mas para alegria desta família e pela compatibilidade com data e horário da doação de órgãos da criança, eles descobriram pelo Programa da RBS TV, Jornal do Almoço, do dia 20/12, e redes sociais quem recebeu o coração de Luiz Henrique.

“O coraçãozinho foi doado a uma menininha de Canoas/RS, a Giovanna (2 anos), a qual estamos em contato com sua mãe e quando ela puder receber visitas poderemos ir conhece-la” afirmou ela. A garotinha ficou quase um ano em lista de espera por um transplante de coração e foi uma das duas transplantadas da semana. Já em estado gravíssimo na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), poucos dias após seu aniversário o tão esperado órgão chegou de presente no dia 14/12.

A história desse transplante repercutiu em nível nacional. O G1, Portal de Notícias da Rede Globo, postou no dia 20/12 uma matéria sobre o caso com o título “'Ela já está respirando sozinha', comemora mãe de menina que recebeu transplante de coração” por Zete Padilha. A avó do menino, Cloé, comentou em uma publicação online que ele “foi, mas deixou seu lindo coraçãozinho batendo no peito da querida Gigi”.

Luane Bairros, mãe da pequena Giovanna que recebeu o coração de Luiz Henrique, publicou em sua rede social na manhã do dia 18/1, sexta-feira, o comunicado de que, com imensa alegria, sua filha já está em casa e a cada dia que passa está melhor. “Ainda não pode receber visitas, pois a imunidade agora é baixa para que não rejeite seu coraçãozinho” informou.