Reportagem Especial

CREAS desenvolve atividades junto a esse público

Por Caroline Moraes

De acordo com a equipe do CREAS (Centro Especializado de Assistência Social) de Soledade, analisando o cenário do último triênio, contabilizaram-se números significativos e com oscilações na quantidade de situações registradas e encaminhadas a este órgão no que se refere à violência sexual contra crianças e adolescentes no Município.

“Sendo que no ano de 2016 foram acompanhados pela equipe técnica 6 casos; em 2017 houve um aumento significativo, passando para 16 casos acompanhados e, já no ano de 2018, novamente passamos a apresentar uma queda nos registros, sendo trabalhado com 10 casos” relatou. Segundo ela, no ano de 2019, felizmente ainda não foi recebido nenhum novo registro, mas seguem sendo acompanhados 3 casos restantes que foram encaminhados no ano passado.

Os estudos e pesquisas indicam que a maior parte dos abusos contra crianças e

adolescentes acontecem dentro de casa e são praticados por pessoas do convívio ou

conhecidas da criança/adolescente. Deste modo, nem sempre a família consegue perceber a situação ou os sinais da violência que a criança/adolescente pode estar sofrendo e a percepção de alguém externo à realidade familiar é de suma importância para romper com o ciclo da violência” disse.

“Garantir a proteção integral de crianças e adolescentes é papel de todos nós enquanto sociedade e para isso, existem canais específicos e de fácil acesso que, inclusive, resguardam sigilo quanto à identidade do denunciante, como é o caso do Disque 100, um canal aberto e gratuito vinculado à Secretaria Nacional dos Direitos Humanos que recebe denúncias sobre qualquer tipo de violência ou violação de direitos de pessoas de qualquer faixa etária, inclusive sobre abuso sexual contra crianças e adolescentes” frisaram os profissionais do CREAS.

O Centro Especializado informou que oferta acompanhamento psicossocial às vítimas e suas famílias nas modalidades unifamiliar e multifamiliar através de equipe multidisciplinar, visando à superação de situações de violência ou violação de direitos. “Desta forma, a família como um todo é acompanhada sistematicamente durante um período indeterminado (dependendo das condições e evoluções de cada caso) onde é acolhida e recebe orientações e encaminhamentos conforme as demandas apresentadas” relataram. Dentre os casos acompanhados, estão crianças, adolescentes, mulheres, idosos e pessoas com deficiência em situação de negligência, violência física, psicológica, sexual, situação de rua, abandono, trabalho infantil; discriminação por orientação sexual, raça ou etnia; acompanhamento de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços à Comunidade; acompanhamento de crianças/adolescentes que foram afastados do convívio familiar devido à aplicação de medida de proteção” salientaram.

O CREAS de Soledade/RS está instituído como de caráter municipal, atendendo apenas as demandas do Município, de acordo com a equipe.Conforme previsto em lei, todo caso de violência sexual contra crianças e adolescentes deve ser apurado e, se comprovado, o agressor deve ser responsabilizado criminalmente. Porém, esta etapa não é de competência deste órgão, ficando sob responsabilidade policial e judiciária” enalteceu.

Segundo eles, é importante salientar que não existem sinais específicos ou padronizados que indiquem uma possível violência sexual. “É preciso sempre termos, enquanto

adultos e responsáveis por crianças, o discernimento de atentarmos para mudanças

repentinas e significativas de comportamento, como por exemplo, transtornos de

sono (pesadelo, sonolência e sonhos)” acrescentou o grupo de trabalho.

Também, baixo rendimento escolar (alterações na atenção e concentração); aversão ao contato físico ou proximidade excessiva com determinada pessoa; episódios de medo e pânico; isolamento e depressão; abandono de antigos hábitos; conduta agressiva e irritabilidade; choro fácil sem motivo aparente; regressão a um comportamento muito infantil; doenças venéreas ou infecções urinárias de repetição; enurese noturna; lesões ou dor na região genital; comportamentos autodestrutivos (ex.: automutilação); hiperexcitação sexual como masturbação compulsiva; desenhos e brincadeiras que sugerem abuso sexual etc.

 “Lembrando que todos estes sintomas/comportamentos são apenas possíveis indícios

e não significam que um ou mais deles necessariamente indique a ocorrência de uma

violência sexual. Porém, todos eles devem, se apresentados, serem verificados e

acompanhados com a devida atenção por profissionais especializados. Falar sempre é uma das melhores formas de prevenção” destacou.

Para eles, a orientação das crianças e adolescentes sobre a prevenção de casos de violência sexual fortalece a capacidade deles de compreensão e entendimento acerca do fato. Desta forma, o diálogo deve começar em casa desde cedo, junto da família, e fazer parte da escola, da comunidade e da sociedade em geral. Enquanto o assunto for visto como um tabu, mais abusos podem estar acontecendo sem que as vítimas possam estar recebendo o devido atendimento.

Falar, dialogar, discutir e informar sobre violência sexual não só pode prevenir novos casos, bem como também identificar situações que já vem ocorrendo ao redor. Desde que, com a linguagem adequada à faixa etária, é importante que as crianças sejam orientadas desde cedo quanto ao cuidado com o próprio corpo, que saibam nomear as partes dele através dos nomes reais ou apelidos e que possam contar a um adulto de confiança sempre que se sentirem ameaçadas ou desconfortáveis com alguma situação.