Reportagem Especial

Órgãos soledadenses acobertam o abuso por medo ou negligência

Comece a doar através do imposto de renda

Por Caroline Moraes

“Infelizmente, é um absurdo o grande número de casos de abuso sexual em Soledade pelo tamanho do Município. Esta é uma situação gravíssima, pois grande número de abusos não é notificado por negligência, falta de ética e por ameaça à integridade física do denunciante. Isso ocorre muito no Hospital de Caridade Frei Clemente, nas escolas, com funcionários agentes de saúde e visitadores do PIM (Primeira Infância Melhor) no Município” disse Sérgio Pilatti, presidente do COMDICA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente).

“Outro problema grave que influencia nas ocorrências de abuso sexual infantil é a drogadição, o uso exacerbado de álcool, a marginalização da sociedade. Não podemos fechar os olhos para esses problemas. Para isso tem-se o Disque Nacional 100 (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) totalmente anônimo em que encaminha as queixas diretamente ao Ministério Público. Animais merecem atenção, mas as crianças abusadas não podem ser deixadas de lado” ressaltou Sérgio.

De acordo com ele, as atribuições do COMDICA são fiscalizar o Conselho Tutelar, gerir o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, promover reuniões mensais abertas ao público datadas em toda a 2ª terça-feira do mês, às 8h 30min, no Centro Cultural de Soledade para debater sobre a temática. Estas reuniões, disse, visam solicitar e indicar campanhas práticas, educativas, preventivas e remediadoras junto às escolas para preservar a integridade física da criança, acompanhados pela Vigilância Sanitária, observando possíveis riscos mediante a condição da estrutura física dos educandários e seus pátios, bem como medidas a ser tomadas; organizar a eleição trienal do Conselho Tutelar, entre outras.

“Algumas atividades já realizadas por este órgão em Soledade foram a panfletagem de folders elucidativos da Campanha Leão Amigo contra o abuso sexual infantil, colaborações de fundo financeiro ao Grupo escoteiro Ágata, camisetas e materiais de apoio às crianças do PROERD (Programa de Resistência às Drogas e à Violência). Todas estas atividades primeiro têm que ser analisadas e aprovadas em plenária” relatou.

No momento, há projetos de auxílio às crianças da Banda Marcial Municipal, a um grupo esportivo do Bairro Ipiranga e a compra de materiais para a EEEF Aberta que se tornará Centro de Atendimento Especializado, informou. “Para isto, dispomos de uma conta bancária onde são depositadas verbas nacionais e, mediante auxílio pelo imposto de renda, municipais. Soledade tem potencial para doar R$70 mil ao ano, mas em 2018 foi levantado o valor de R$4 mil devido a uma enorme desinformação aliada à falta de conscientização” frisou ele.

Segundo o presidente, há 1 ano e meio ele teve esta iniciativa onde o adulto pode doar até dezembro, 6% e a partir de janeiro de cada ano, 3%. “Este apoio também deve ser dado pelos profissionais de contabilidade ao lembrar e instruir seus clientes a realizar a doação que é revertida em desconto no imposto de renda por que o valor doado e cadastrado no nosso CNPJ reverte em benefícios para o próprio indivíduo e à Soledade. Ao invés de os impostos irem para Brasília e serem revertidos em menor quantidade para cá, eles ficam aqui e auxiliam projetos da nossa terra” afirmou.

No dia 30/1, o presidente Sérgio, 2 conselheiros tutelares e um representante do jurídico da Prefeitura Municipal de Soledade estiveram presentes em uma reunião em Porto Alegre participando de um curso instrutivo para ficarem a par de atualizações na lei e melhorarem cada vez mais o desempenho de suas atividades realizadas, conforme Pilatti.