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Desenvolvimento e unificação da cadeia da erva-mate é tema central do Fórum Florestal do RS

Expodireto

Por Assessoria de Imprensa

Com auditório lotado por produtores, lideranças e representantes de entidades ligadas ao setor ervateiro, a 12ª edição do Fórum Florestal do RS foi realizada nessa quinta-feira (14/03), durante a Expodireto Cotrijal 2019. Este ano, o evento promovido pela Emater/RS-Ascar, Cotrijal, Embrapa, Sindimate, Ibramate, Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Erva-mate (CSEM) e Programa Gaúcho para a Qualidade e Valorização da Erva-mate, debateu assuntos da temática florestal voltados à cadeia da erva-mate, a partir do enfoque do desenvolvimento e da unificação do setor.

Uma rodada de painéis, mediada pelo coordenador da Câmara Nacional da Erva-mate, Jorge Birck, foi o formato escolhido para trazer ao público o debate sobre a cadeia produtiva da erva-mate, abordando o cenário atual e as perspectivas de futuro da produção e mercado. Entre as autoridades, participaram do Fórum o gerente do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, Oriberto Adami, no ato representando o presidente da Instituição, Iberê de Mesquita Orsi, o coordenador da Câmara Estadual da Erva-mate, Tiago Fick e o analista da Embrapa Florestas, Ives Gomes dos Reis Goulart.

Os painéis apresentados discorreram sobre o papel que cada elo inserido na cadeia produtiva da erva-mate desempenha frente ao setor. O presidente da Associação dos Produtores de Erva-mate de Machadinho, Clairton da Fonseca, salientou o papel do produtor, que está na ponta da cadeia produtiva, e falou da importância da qualificação técnica.  “Nós temos que olhar a agricultura como uma empresa. Seremos bem sucedidos se buscarmos informação, tecnologia, juntos às entidades que têm conhecimento técnico. Assim, teremos capacidade de gerenciar nossa propriedade, independente do tamanho. Essa é a nossa missão, buscar de informação e de conhecimento técnico. Somos capazes de gerenciar bem a propriedade, produzir bem. Essa é a nossa contribuição à cadeia da erva-mate”, admitiu Fonseca.

O Sindimate e o Ibramate também participaram do Fórum. O presidente do Sindimate, Álvaro Pompermayer, trouxe dados que apontam a evolução e a expressividade da cadeia da erva-mate para o Estado. Segundo ele, o RS industrializa 60% da erva-mate do país. O setor ervateiro emprega cem mil pessoas, de forma direta ou indiretamente. Mais de 20 países recebem o produto através da exportação e o RS contribui com a produção de 35 mil toneladas. Atualmente, ocupa a 18ª posição no ranking dos produtos exportados pelo Estado.

A professora e pesquisadora da Universidade Regional Integrada (URI) de Erechim, Alice Valduga, falou da evolução da pesquisa, especialmente do crescimento que vem alcançando nesse setor. Segundo ela, o objetivo desse trabalho é adequar as técnicas de pesquisa à evolução do consumidor, viabilizar o avanço da sociedade relacionado ao setor da erva-mate, identificar as tendências comportamentais e realizar pesquisa básica e aplicada para obter informações e torna-las acessíveis ao público. Para isso, é necessária a integração dos diferentes elas da cadeia produtiva. A pesquisadora destacou também alguns indicadores que ainda podem ser investidos dentro da pesquisa. Testes de propriedades de erva-mate in vitro e in vivo, estudos em humanos, estudo e seleção de progênies, melhoramento genético, cultivo e manejo de erva-mate para uso mecanizado, avaliação de layout para indústria, nutrição da planta, desenvolvimento de novos produtos, avaliação de produtividade e fitoquímicos em diferentes sistemas de cultivo e diferentes progênies, entre outras, são algumas temáticas que podem receber investimento de pesquisa.

Para encerrar os painéis, o gerente técnico estadual da Emater/RS-Ascar, Rogério Mazzardo, falou sobre o trabalho da Instituição envolvendo o setor. “Nós como Extensão Rural participamos de toda a cadeia produtiva da erva-mate. Realizamos um trabalho articulado, desenvolvendo ações em todos os cinco polos produtivos da erva-mate no RS”, comentou.

De acordo com Mazzardo, a Emater/RS-Ascar trabalha na construção de ações, políticas públicas, para fomentar e qualificar o setor. O Programa Gaúcho para Qualidade e Valorização da Erva-mate e a Política Nacional da Erva-mate são exemplos de políticas que foram desenvolvidas com o objetivo de qualificar a cadeia, desde a produção da matéria-prima, passando pela industrialização e comercialização.

O gerente técnico explicou como aconteceu a construção do Programa Gaúcho para Qualidade e Valorização da Erva-mate, iniciando com a aplicação de diagnósticos nos cinco polos ervateiros do Estado, para entender as necessidades e demandas do setor e, então, propor ações de fomento. Dentro desse setor, a Emater/RS-Ascar desenvolve ações de capacitação ao produtor, curso de boas práticas agrícolas e de fabricação, realiza intercâmbios tecnológicos, mantêm unidades demonstrativas e de observação, além de Unidades de Referência Técnica (URTs), onde são aplicados novos conhecimentos e tecnologias, buscando a qualificação da atividade. Envolvendo as boas práticas de fabricação para erva-mate e derivados, a Emater/RS-Ascar já ofertou cursos para mais de 120 indústrias de processamento no Estado, capacitando mais de 140 trabalhadores.

A 12ª edição do Fórum Florestal do RS reuniu mais de 120 pessoas. Ao final dos debates, os participantes visitaram o espaço temático de Florestas Comerciais da Emater/RS-Ascar, na Expodireto Cotrijal, que apresenta diferentes alternativas de produção ao agricultor, como a atividade madeireira, a produção de erva-mate e do porongo e o sistema de produção Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).