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Foco da raiva se espalha para a região

Por Caroline Moraes

Aos 12 dias do mês de abril, continua a campanha de vacinação preventiva contra a raiva herbívora que acometeu dezenas de animais em Soledade, agora com foco estendido à região de Passo da Lage, Zona Rural de Ibirapuitã/RS, conforme a fiscal estadual agropecuária, Isadora Corrêa, que atende na Inspetoria de Defesa Agropecuária da região de Soledade. A doença, incurável e letal, transmitida pela espécie de morcegos hematófago contaminado com o vírus e tende a ser controlável se a população fizer sua parte.

De acordo com Isadora, se houver lesões de mordedura por morcego, sinais clínicos ou óbito de animais, independentemente da espécie, a inspetoria veterinária deve ser acionada pelo telefone (54) 3381-9400, pois até então, um cavalo e um porco também  morreram com suspeita de raiva,  além dos bovinos. Os sintomas da raiva são: mudança de comportamento, agitação, falta de apetite, nervosismo e aparência de assustado, fraqueza e paralisia dos membros, salivação abundante e dificuldade para engolir, dificuldade para levantar, morte em 4 e 6 dias após o início dos sintomas.

O número de mortes continua na faixa de 50 animais na região. Solicitamos que as pessoas não coloquem fogo nos refúgios de morcegos, pois estarão colocando suas vidas em risco, apenas transferindo o problema de local, e podendo matar espécies amigas, predadoras naturais do morcego hematófago, como o morcego carnívoro que é maior” ressaltou ela. É preciso pessoal capacitado na área, como a equipe do Programa Nacional de Controle da Raiva Herbívora (PNCRH-RS) da SEAPDR (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural) que são devidamente treinados e possuem material adequado para ir até as furnas, coletar amostras para verificar a presença ou não do vírus, e controlar a população de morcegos hematófagos, caso necessário”, assinalou.

“Vale lembrar que cada animal tem sua função na natureza. O que não pode ocorrer é  mordidas de morcego em bovinos ou animais domésticos, por isso é importante fazer essa verificação. Estes morcegos já têm os animais silvestres para se alimentar de seu sangue”, alertou a fiscal. Na Lei Federal 9.605, de 1998, consta que é crime ambiental matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida.

Tal ato tem como pena detenção de 1 a 3 anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. “Geralmente, estes morcegos preferem lugares silenciosos, escuros e sem movimento. Em Soledade há apenas 4 furnas cadastradas, porém uma delas foi encontrada incendiada, o que dificulta ainda mais o trabalho realizado, pois agora não se sabe onde é o novo paradeiro da colônia de morcegos que ali habitava. Se alguém notar a presença deles pode nos auxiliar a localizar a furna” frisou a profissional.

Alguns dos esconderijos de morcegos são troncos ocos de árvores, cavernas, fendas de rochas, furnas no chão, túneis, casas abandonadas, poças d’água, pontes. Segundo ela, a ação dos veterinários que atenderam aos casos encontrados foi extremamente correta, realizando os procedimentos necessários, comunicando e solicitando orientações de como proceder.

“Quando há laudos positivos se considera a região com foco (Margem São Bento, São Sebastião e, agora, Passo da Lage) num raio de 5 a 8 km. Os animais que apresentam  quadro clínico semelhante, não respondem aos tratamentos realizados e morrem dentro da região do foco são considerados como prováveis casos de raiva . A vacina não é obrigatória, porém é indicada para prevenção de animais que ainda não foram mordidos. Ela não é gratuita, mas é barata. São duas doses, por isso não adianta vacinar somente com uma delas que não terá efeito” disse ela.

“Nos animais que já receberam as duas doses a vacina é necessário um reforço anual, o esquema de duas aplicações é somente para os primovacinados. É importante ressaltar que, como o vírus da raiva fica encubado por até 90 dias, se algum animal foi/for mordido, os proprietários devem estar conscientes de que estes ainda morrerão” esclareceu a veterinária.