Reportagem Especial

OAB promove mesa redonda sobre diversidade

Por Caroline Moraes

A segunda-feira, 5/8, iniciou com a mesa redonda “Conversando sobre diversidade”, com representantes de escolas públicas municipais e estaduais de Soledade, a psicóloga e sexóloga, Luciane Sauthier e representantes do movimento LGBTI+, promovido pela Comissão Especial de Diversidade Sexual e Gênero – CEDSG, no Auditório Ivo José Stein, junto à Prefeitura Municipal.

Na ocasião, a advogada Estela Pissolatto explicou que o objetivo do encontro foi promover o diálogo acerca de vivências e relatos entre escolas e Psicologia, dentro da temática. Para a psicóloga e sexóloga, Luciane Sauthier, a sociedade está impregnada pelo estereótipo da dualidade de feminino e masculino/mulher e homem e, mais do que nunca, chegou um momento que não dá mais para fugir ou negar as questões e pontos de conflito encontrados e vividos pelos indivíduos.

“Temos que erguer juntos a bandeira do direito e da saúde mental”, afirmou explanando informações de conceitos e diferenças envolvendo sexualidade como orientação sexual, identidade sexual, pansexualidade, assexualismo, cisgênero, transgênero, agênero, gênero fluído etc..

“O ser humano tenta explicar tudo e obter um controle ilusório, mas ele não é absoluto. Mas a pessoa pode se identificar como masculino, feminino, com seu sexo biológico ou como nenhum”, garantiu ela. “Fiz login no corpo errado”, disse Vinícius de Lima, que nasceu em um corpo feminino, mas se identifica como homem trans de orientação hétero.

Com 17 anos, Dominick Santos, mulher trans, relatou sua trajetória marcada por muita dor e sofrimento. Contou sobre as ininterruptas agressões que sofreu durante toda a sua vida escolar, na cidade de Porto Alegre, onde residia. Segundo ela, não era livre nem para ir até o mercado, pois sabia que seria agredida ou insultada.

Já Matheus Batista, é um menino gay que aceita seu corpo, que não deseja mudá-lo por meio de cirurgia, mas que se monta feminino em algumas ocasiões. “Muitos apanharam e morreram no passado buscando respeito para que hoje estivéssemos aqui e eu faço o mesmo pelo presente e futuro da nossa comunidade”, disse.

Na oportunidade, foi ressaltado o quanto é importante haver esses momentos de esclarecimento para que o conhecimento se espalhe, mais pessoas possam abrir sua mente e diminuir, de forma gradativa, o preconceito e o ódio presente no coração das pessoas. Conforme Matheus, estas não são opções, pois se pudessem escolher, gostariam de não sofrer neste país falso moralista que dificulta tudo.

Muitos são os desafios encontrados por este grupo de pessoas, pois a rejeição começa dentro de casa com membros da família e se expande sociedade a fora, conforme seus relatos pessoais. “Já me perguntaram se eu era prostituta e minha mãe respondeu que – Não. Ela é professora formada. – Pois, o mercado de trabalho preponderante de pessoas como eu é a prostituição devido à extrema dificuldade de serem aceitas em outros tipos de serviço”, revelou Dominick.

Diversas questões acerca do rompimento dos padrões sociais, da resistência natural de quem está sendo reeducado de seus hábitos nocivos aprendidos, a compreensão de que nem todos são iguais foram abordadas e debatidas no local. Pablo Cassio Vaz, cantor e assessor cultural do Departamento Municipal de Cultura soledadense, com voz e violão apresentou a música de Lulu Santos - Toda Forma de Amor para encerrar o encontro.