Reportagem Especial

Quatro décadas na advocacia

Conhecido como um dos advogados mais renomados do Estado, o arvorezinhense, Paulo Gazola, relembra sua carreira falando da importância da profissão

Por Assessoria de Imprensa

Sentado em sua sala, o advogado Paulo Gazola, com um suéter sobre uma camisa xadrez, mostra no cabelo branco que o tempo passou. Ao lado esquerdo da mesa, vários livros enfileirados trazem os mais diversos assuntos jurídicos. Em uma pasta preta, a cópia do diploma expresso em 1978, quando a Constituição Federal ainda era uma ideia, nem próxima de ser realizada.

Em cada local do escritório onde Gazola passa grande parte do seu tempo, a mistura de gerações e épocas é notável. Alguns documentos datilografados relembram o início da carreira, mas é no computador que ele realiza, hoje, suas atividades.

O que permanece viva, é a Constituição, que na prateleira foi exposta em vários volumes e é o documento que passou por todos esses anos, e sobreviveu às várias mudanças.

Nas memórias do advogado, as lembranças do início e a superação dos anos, traz o orgulho de ter escolhido a profissão.


O sonho de ser advogado


Gazola conta que sempre sonhou em ser advogado. “Não havia nenhum histórico na família, mas desde guri eu gostava dos assuntos jurídicos, assistia aos júris e era apaixonado pela profissão. Quando tive a oportunidade de escolher um curso não tive dúvidas de escolher o direito”, contou.

Gazola se formou em Direito pela Universidade de Passo Fundo em 1978, e se inscreveu na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 1979. A carreira segue até hoje, sem interrupções.

Ao olhar para trás e relembrar os 40 anos de carreira, Gazola sorri com um olhar emocionado. “Eu chego à conclusão que valeu a pena. Não teve segredo nenhum. Eu sempre procurei fazer o meu trabalho voltado às prerrogativas, aos clientes e às instituições, e neste sentido, eu consegui. Não tenho nenhum motivo para reclamar. Existiram os percalços, mas foi aí que ficou interessante. Tiveram sucessos e insucessos e todos serviram para alguma coisa”, afirmou Paulo.


Carreira Criminalista


Não é à toa que Paulo Gazola é conhecido por encarar casos rotulados como “cabeludos”. Em sua carreira, ele já participou de vários júris de repercussão estadual.

“Na verdade, alguém me chama de advogado criminalista, eu não me vejo assim. Eu faço o crime, por que eu entendo que quando nos formamos, temos por obrigação atuar em qualquer área do direito e estamos aptos para isso”, relata.

Gazola conta que foi entrando aos poucos nesta área, por ver a angústia de pessoas envolvidas em processos criminais. “Acabei pegando gosto pela causa”- admitiu sorrindo.

Para ele, nenhum caso merece destaque em seu coração ou memória, pois rotula todos como especiais. “A própria Constituição diz que todos têm o direito da defesa. E a dor daquele pobre é a mesma daquele com mais poderes, por isso, cada defesa é especial para mim”, disse ele.

Na área criminalista, Gazola diz que ainda é preciso usar mais a tecnologia. “As polícias deveriam usar mais a ciência e a tecnologia para a resolução dos casos. O IGP (Instituto Geral de Perícias), por exemplo, é fantástico, mas falta pessoal e material”, apontou o advogado.

Na carreira criminalista, Gazola contou que os crimes de antigamente eram diferentes, e isso também muda a própria defesa. “Antes os crimes aconteciam porque uma família x era inimiga da y e em um encontro acabavam cometendo um assassinato ou algo do tipo, então tínhamos que estudar o motivo que levou aquilo, até por que, tudo tem uma justificativa. Nos dias de hoje, um motoqueiro para, enche uma pessoa de tiro e sai, por vingança, dívida, ou drogas e nisso eu prefiro não advogar”, confessou.


Incentivador


Paulo Gazola tem muitos amigos na área do Direito e, segundo ele, isso ocorre por que sempre esteve aberto aos colegas, e foi incentivador de muitas carreiras.

“Eu torço muito pelos meus colegas, sempre procurei ajudar e mostrar que era possível”, relatou.



Os 40 anos de carreira e a importância da Constituição


O tema do mês da advocacia estipulado pela OAB do Rio Grande do Sul é ela: A Constituição Federal de 1988. E ninguém melhor para falar sobre a conhecida como Carta Magna, do que Paulo Gazola, que viveu os tempos de antes e depois da sua criação.

“Naquele tempo em que eu iniciei a realidade era muito diferente. E hoje, eu faço muito esforço para entender essa geração e continuar, pois o mundo é muito dinâmico”.

Ele considera ter sorte em ter visto um sistema totalmente diferente. “Quando eu entrei, a postura era outra. A lei, era a mesma que a de hoje, mas a mentalidade e a visão das pessoas mudou muito. Eu cheguei a contestar naqueles anos, petições manuscritas, na época eu tive o privilégio de ter uma máquina de datilografia. E hoje estamos implantando aqui na comarca o sistema eletrônico, ou seja, vai terminar o papel”, pontuou.

Sobre a Constituição, Gazola contou que atravessou o período que chamavam de revolução. “Era uma situação totalmente atípica e avessa”- descreveu. Na época ele era Policial Civil e comentou que prendiam as pessoas sem direito de defesa. “Eram uns absurdos, pois eles mandavam prender uma pessoa mesmo não sabendo o porquê. Hoje não. Para um policial entrar em uma casa é preciso o juiz examinar, deferir ou não, e todos têm direito de defesa. Todas essas mudanças resultaram na Constituição de 88. “Ela veio bastante moderna, pois foi bem elaborada, por juristas de renome. Claro, ela vem sofrendo algumas mudanças, com inúmeras emendas, mas ainda é bem melhor do que quando não havia. Para quem já viveu um período escuro, com certeza a Constituição tem muito valor”.



Gazola será homenageado pela OAB


Com a carreira exemplar, Paulo Gazola será homenageado na noite desta sexta-feira, dia 09 pela OAB - Subseção de Soledade. Com o título de Advogado Jubilado, Gazola recebe a honraria após uma votação que escolheu seu nome por unanimidade.

Emocionado com o destaque, Gazola diz que sua carreira é dedicada à família. “Tenho muito a agradecer à minha esposa Elaine Maria Gazola e as minhas filhas Flávia (in memorian) e Mariana, pois sempre me deram assistência e tiveram a paciência de entender a minha ausência. E claro, agradecer aos colegas, pois sem eles eu não estaria aqui”, aduziu.