Artigo

O suicídio e a morte da dor

Por Padre Ezequiel Dal Pozzo

Muitas vezes pensamos que o dinheiro é o que importa na vida. Um palestrante contou em

sua palestra: “Às vezes, nos iludimos pensando que os filhos de milionários são muito ricos e

felizes. Certo dia recebi um telefonema de um empresário, dono de grande empresa, onde eu

havia dado consultoria e me falou que o filho dele de 23 anos havia morrido. Estava viajando e

não pude ir ao enterro. Ao retornar da viagem fui visitar a família e participei de um ritual

judeu onde se celebra durante sete dias depois da morte. Quando estava indo embora o irmão

mais velho chegou a mim e disse que encontrara a agenda do seu irmão onde viu que estava

marcada uma reunião comigo, na semana seguinte a sua morte, de orientação de carreira.

Pensou que se o irmão tivesse conversado comigo, tudo poderia ter sido diferente. Perguntei

a causa da morte do irmão e ele me falou com os olhos cheios de lágrimas que havia sido

suicídio. O rapaz que parecia saudável se jogou do prédio.

Não consegui trabalhar naquele dia, pois fiquei em choque. Pensava sobre a vida e sobre os

rumos que ela pode tomar quando na vida temos tudo, menos amor, tempo, atenção e

cuidado. Os pais daquele jovem se dedicaram para construir um império. Provavelmente não

tiverem tempo para a família, para estar perto dos filhos, para perceber suas reais

necessidades. Certamente a necessidade maior não era dinheiro, mas era sim consolo da alma,

superação da angústia. O dinheiro não supre o afeto. Eles sempre tiveram um estilo de vida

caro, rico em presentes, mas muito pobre em tempo”.

Caro leitor, essa pequena história já tem a sua lição. Naturalmente que não dá pra jogar a

responsabilidade do suicídio sobre os pais. A vida é tarefa de cada um. Esse filho, embora

dentro desse contexto, não teria razão para fazer isso. Nenhuma razão é razoável para o

suicídio. A pessoa que desiste de viver, desiste de sua dor. Não precisamos jogar nos outros a

culpa e nem em quem comete. Se os outros são culpados, também aquele que se suicida

mostra sua fraqueza. O que dá para dizer é que nós podemos aprender com tudo. A vida é

bonita e pode ser vivida com qualidade. Trabalhar, ganhar dinheiro, evoluir, ter sucesso, tudo

é legitimo, quando regado pelo amor. O mundo precisa de mais amor. As famílias podem

dedicar mais tempo para que o amor não falte. Pode até faltar outras coisas, mas amor é o que

dá sabor e alegria à vida.