Semana Farroupilha

Rio Grande do Sul brilha à luz da Capital das Pedras Preciosas

Por Informativo Regional

Durante a Semana Farroupilha, Soledade apresentou inúmeras atividades. Diversas celebrações à cultura gaúcha, encontros de confraternização do povo gaúcho para apreciar a tradição do Rio Grande do Sul, rechearam os dias e as noites da programação cultural 2019 dos Festejos Farroupilhas.

O prefeito Paulo Ricardo Cattaneo, falou acerca da importância de fomentar e cultuar a tradição gaúcha por meio de atividades no Município. “É fundamental que a administração municipal incentive a Semana Farroupilha, pois é uma data máxima em todo o Rio grande do Sul, em especial em Soledade. Já que é neste período que notamos um envolvimento maior da comunidade como um todo, ou seja, tanto a população da cidade, quanto ado interior do Município”, mencionou Cattaneo.

“Este ano tivemos a homenagem do Instituto Gaúcho da 27ª Cavalgada, o grande diferencial dessa Semana Farroupilha, pois destacou Soledade em todo o estado e país. Por isso, realmente nossa cidade está de parabéns. Este foi um período grandioso em 2019, que superou todas as expectativas”, reconheceu o gestor Municipal.

Ele registrou também que a Prefeitura, neste ano, inovou na valorização ao tradicionalismo gaúcho. “No nosso Palco Jesus Marodim criamos o Galpão Crioulo Jesus Marodim. Nele, durante os dias da semana ocorreram apresentações diárias, sendo um espaço aberto ao público. Além das atividades nas entidades tradicionalistas do Município, o Galpão Crioulo foi uma grande novidade que a população prezou muito”, referiu Paulo Ricardo.

A membra da Comissão Gaúcha de Folclore, Mara Muniz, explicou sobre os eventos realizados no Galpão Jesus Marodim, já que ela é uma das responsáveis pela organização do local. “Nosso rancho era aberto, pois não tinha janela, nem porta e tramela, era pra toda a comunidade. Nele, fizemos a Ciranda da Tradição, envolvendo as crianças das escolas do Município, em que abordamos assuntos culturais, como a importância da Semana Farroupilha e da Chama Crioula, além da vida e obra de Paixão Côrtes, que era o tema dos festejos de Soledade”, relatou Mara.

“Cada dia da semana tivemos algo diferente, e no dia 18/09, quarta-feira, foi um dos mais importantes dentro da programação, pois tivemos a presença da EMATER/RS, STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) de Soledade e Mormaço e o SR (Sindicato Rural), em que foram os protagonistas e personagens principais, trazendo o primeiro intercâmbio de folhagens e flores, coisa que não vemos mais nos jardins atualmente. Além de que muitos nomes de folhagens as crianças não tem conhecimento”, assinalou ela.

Muniz citou, também, que foi abordada a importância das abelhas para o ecossistema. “Muitas crianças não sabem que o mel vem das abelhas, e que através dele é criado o favo, algo que muitos também não conhecem. Então, explicamos que o favo de mel é onde está a concentração da substância pura, medicinal, em que às vezes comem e não sabem de onde vem. Também, há outro significado, pois na roupa do gaúcho encontram-se favos na bombacha, um desenho bordado por costureiras”, lembrou.

“Da mesma forma, abrangemos a importância das flores para fazer chás campeiros, que antigamente eram muito usados. Ainda, falamos sobre o envolvimento com a natureza, no telurismo gaúcho, a inspiração da querência, vento minuano, galpão, entre outros, em que há toda uma nomenclatura que forma a fala de um povo que é transformada em poesia, música, etc.. Então dentro de um contexto geral é muita coisa para uma semana só, mas acredito que poderíamos ter datas específicas, para que de vez em quando pudéssemos trazer a tona essas falas”, expôs Mara.

Ela enalteceu que a iniciativa do local e dos eventos foi um sucesso e que pretendem dar continuidade para os próximos anos. “O rancho na praça é um momento de resgate histórico. É algo para o público, para que todos se sintam bem, e nos ajudem a valorizar e cultivar ainda mais a nossa cultura gaúcha”, comentou Muniz.


Algumas curiosidades gaudérias:

Ronda Crioula: “A Ronda é uma forma de proteção a algo. Nós, na Ronda Crioula, buscamos proteger e passar noite e dia cuidando a Chama Crioula para que ela não se apague, ou seja, desrespeitada”.

Candeeiro: “É um material rústico parecido com lampião, onde é colocada Chama, e ali ela permanece acesa”.

Bichará: “Poncho feito de lã de ovelha crua, natural, usado no inverno”.

Poncho: “Feitos de lã grossa, protege de frio e chuva, usado muito pelos cavaleiros”.

Pala de seda: “Outra indumentária diferente, social e chique para festas e eventos, além de ser uma forma de quando os gaúchos peleavam, em que enrolavam o pala de seda nas mãos ou braços para se proteger, pois a faca não corta a seda”.

Guaiaca: “Cinto largo do gaúcho”.

Cambona: “Tipo uma chaleira que serve para esquentar água ou fazer café”.

Café de Chaleira: “Feito em chão, na relha, em que colocavam brasa no café para queimá-lo”.

Galpão de Estância: “Onde os gaúchos se resguardavam em dias de chuva e frio”

Chão batido: “Local que não tinha piso, era um chão que de tanto caminharem ficou batido, como um concreto”.

“Há inúmeras outras curiosidades sobre o tradicionalismo gaúcho”, pontuou Mara Muniz.




Algumas das atividades de Soledade ocorreram no Palco Jesus Marodim, no Centro do Município, como cirandas da Tradição; I Intercâmbio de flores e folhagens tradicionais “Aromas da Tradição”; PROMUATI, Gente Preciosa preservando a tradição; programa radiofônico “Campereando a tradição”, transmitido, ao vivo, por rádio local.

No Centro Cultural soledadense foi realizada a encenação “Guerra Missiânica”, já no Cemitério Municipal, acendimentos da Chama Crioula por parte dos CTGs. Além disso, na Pira Farroupilha, junto ao Largo da Matriz, houve apresentações artísticas, mateada e solenidade de abertura oficial do evento de 2019.

A Praça Cândido Carneiro Júnior foi ponto de chegada da 27ª Cavalgada Farroupilha, um tributo à memória do líder General Candoca e os Centros Tradicionalistas Gaúchos, Grupo de Arte Nativa e Rancho, apresentaram ao público prestigiador diversas atividades, tais como: Recital de Canto e Poesia, acendimentos da Chama Crioula, encontro e apresentações das Invernadas Artísticas, bem como das escolas locais, Baile com o Grupo Vaneira, Fandangos de 7 horas com animação do Grupo Os Serranos, João Luiz Corrêa e Grupo Campeirismo, lançamento de livro, futebol de bombacha, Ciranda de Prendas e Entrevero Cultural de Peões, fandango da Saudade com Grupo PROMUATI, domingueira, apresentações de gaiteiros do Centro Cultural de Soledade, fandango mirim, noite especial de homenagens, concursos artísticos “Talentos da Terra”, jantares e jantar-baile com Os Filhos de Soledade.

A Capela Sagrada Família foi sede do Culto Crioulo do CTG local e a Igreja Matriz Nossa Senhora da Soledade, padroeira do Município, a missa crioula.

No Dia do Gaúcho, culminância do período festivo, o programa radiofônico “Rodeio da Tradição” (11h), no Rancho; Início do Desfile Temático e de Cavalarianos com saída da Av. Mal Floriano Peixoto (Coagrisol – 15h); encerramento oficial na Pira (16h 15min); o show nativista com o Grupo Soledade, no Palco da Praça Central Olmiro Ferreira Porto (16h 30min); o fandango com Grupo Garotos de Ouro, no Trempe de Aço (18h); e a Bailanta, no 4 Rodas (18h), prometem ser especiais tanto quanto as atividades que os antecederam, ou ainda mais do que eles.