Artigo

O papel da ludicidade no desenvolvimento infantil

Por Assessoria de Imprensa

Claudia Mariane Walendorff da Silva


           A educação trás muitos desafios para aqueles que nela trabalham e se dedicam à causa. Seu principal foco e objetivo é a formação integral do ser humano, pensando na sua totalidade, seu corpo, preferências, meio em que vive, enfim nas relações vivenciadas. Segundo o Referencial Curricular da Educação Infantil, educar significa proporcionar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.

A brincadeira exerce um papel relevante, sendo um dos espaços onde a criança tem para formar seus conhecimentos, conhecer o mundo e integrar-se a ele. A ludicidade contribui e influencia na formação sadia da criança, os jogos e as brincadeiras são experiências vivenciais prazerosas, brincar é análogo ao aprender. A escola ao valorizar essas atividades lúdicas, ajuda a criança a formar um bom conceito de mundo, em que a afetividade é acolhida, a sociabilidade é vivenciada, a criatividade estimulada e os direitos das crianças respeitados. A escola pode desencadear estratégias lúdicas para dinamizar o trabalho pedagógico deixando-o mais produtivo, prazeroso e significativo.

          É por meio da ludicidade que a criança se prepara para a vida, assimilando a cultura do meio em que vive, a ela se integrando, adaptando-se às condições que o mundo lhe oferece e aprendendo a competir, cooperar com seus semelhantes e conviver como um ser social. Além de proporcionar prazer e diversão, o jogo, os brinquedos e brincadeiras representam um desafio e provocam a reflexão nas crianças. Uma atividade lúdica oferece aos alunos experiências concretas, necessárias e indispensáveis às abstrações e operações cognitivas. Sendo competência da educação infantil, proporcionar aos educandos um ambiente rico em atividades lúdicas, já que a maiorias das nossas crianças passam grande parte do seu tempo em escolas de educação infantil e creches, permitindo que elas vivam, sonhem, criem e aprendam a serem crianças.

         O lúdico proporciona um desenvolvimento sadio e harmonioso, ao brincar a criança aumenta sua autonomia, estimula sua sensibilidade visual e auditiva, valoriza sua cultura, desenvolve habilidades motoras, diminui a agressividade, exercita a imaginação e a criatividade, aprimora a inteligência emocional, aprende a se integrar e socializar, promovendo assim, o seu desenvolvimento sadio, o crescimento mental e adaptação social. É buscando novas maneiras de ensinar por meio da ludicidade que conseguiremos uma educação de qualidade e que consiga ir ao encontro dos interesses e necessidades das crianças. Cabe ressaltar que uma atividade lúdica é uma maneira de ser, de estar, de pensar e de encarar a escola, bem como de relacionar-se com os alunos. É preciso entrar no mundo da criança, no seu sonho, no seu jogo e jogar com ela. Quanto mais espaço lúdico proporcionarmos, mais alegre, espontânea, criativa, autônoma e afetiva ela será.

        Cabe a escola e a nós educadores recuperarmos a ludicidade infantil de nossos alunos, ajudando-os a encontrar sentido para suas vidas. Ao brincar, não se aprende somente conteúdos escolares, aprende-se algo sobre a vida e o mundo. É preciso que o professor assuma seu papel artífice de um currículo que privilegie as condições facilitadoras de aprendizagem e que a ludicidade se encontre nos diversos processos de conhecimento e contrução da identidade, da afetividade, do social, perceptivo-motor e cognitivo. Aos educadores infantis, transformem o brincar em trabalho pedagógico para que experimentem o verdadeiro significado de aprender com alegria e ensinar com prazer.


REFERÊNCIAS:

ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1995.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para educação infantil. Brasília, 1998. V.2