Artigo

A LINGUAGEM NO CONTEXTO ESCOLAR: DEFICIÊNCIA E DIFERENÇA LINGUÍSTICA

Por Informativo Regional


BERTANI, Lucélia Maria¹


A linguagem é fundamental no desenvolvimento mental e intelectual do ser humano, permitindo, assim, compreender, em suas especificidades, a realidade sociocultural e observar as características dos sujeitos que nela vivem. Ressalta-se a busca por um ensino igualitário, sem discriminação, compreendendo as diferenças linguísticas e sua importância no processo de aprendizagem, também se relaciona o aspecto entre a linguagem verbal e não verbal que, possivelmente, resultaria em um aprender mais significativo se ocorrer uma ação educativa para a cidadania. Percebe-se que a linguagem usada no cotidiano escolar tem uma mistificação de línguas, de dialetos complexos, variedades regionais de linguagem, dentre outras diferenciações, embora autora do presente estudo e educadora muito se verificam a deficiência em detrimento da compreensão das variantes linguísticas que caracterizam as manifestações de linguagem entre os alunos. Baseando-se nesse problema, percebe-se que é possível mudar essa realidade de forma estimulante e prazerosa, despertando em cada um o interesse na construção de uma ação que oportunize o convívio com a diversidade, com expressões culturais e sociais que são próprias de cada um, desenvolvendo valores éticos como respeito ao outro, equidade, solidariedade e igualdade para uma mediação pedagógica que venha marcar a trajetória da aprendizagem, não deixando de evidenciar a essencial parra o convívio em sociedade.

A profissional precisa, então, estar consciente de que a aprendizagem ocorre de acordo com os estímulos recebidos, cabendo a este promover uma aprendizagem que busque conhecer as variações linguísticas, organizando sua prática de modo ao domínio da linguagem formal e não formal, ou seja, usando o recurso pedagógico primordial das práxis cotidianas. É necessário que se entenda o ser humano como um todo, como sujeito que se desenvolve sempre conforme é estimulado. Estímulos que o levam a crescer em conhecimento, em experiências e saberes; estes são levados a modificar-se e reorganizar-se em sua prática. Para isso, é preciso buscar a qualificação das relações para o desenvolvimento de uma vida com qualidade, superando preconceitos. A sociolinguística, segundo em Votre e Cezario (2009, p. 141) é uma área que estuda a língua em seu real, levando em consideração as relações entre a estrutura linguística e os aspectos sociais e culturais da produção linguística, tem como objeto de estudo a diversidade da linguagem, abrange o ramo da linguística que estuda a relação entre a língua e a sociedade, possui características próprias como variedade1, variante e variável. Os três termos importantes mencionados, explica-se por variedade o termo correspondente ao dialeto, ou seja, o padrão linguístico de uma comunidade. Cada variedade linguística tem uma gramática própria, com traços próprios dos grupos sociais que as compõe, com variações em função de cada critério como: idade, sexo, escolaridade, etc. Quanto à variante é termo utilizado nos estudos para designar um item linguístico que sofre mudança, representando assim as formas possíveis de realização. Já a variável é o traço, forma ou construção linguística cuja realização apresenta variantes observadas pelo investigador.


A variação no contexto social e escolar está sempre presente na forma como as crianças falam, com uma variedade linguística mista e uma cultura arraigada, apresentando assim uma aprendizagem que se mostra ineficaz e gera um preconceito linguístico com sérias consequências. A linguagem é fundamental no desenvolvimento mental e intelectual do ser humano, nesse entendimento, o estudo das suas especificidades permite compreender a realidade sociocultural e observar as características dos sujeitos que nela vivem. Portanto, a defesa de que diferenças linguísticas não são deficiências parte da concepção de negar a discriminação de línguas, assim como não se pode considerar que haja uma cultura superior ou inferior. O que é admissível é a coexistência entre línguas diferentes, dialetos complexos, variedades regionais de linguagem, dentre outras diferenciações. Como podem ser compreendidas, então, diferenças linguísticas, levando-se em conta um ensino inclusivo e igualitário?


A linguagem falada ou escrita expressa conceitos e percepção do mundo, mundo sociocultural do aluno que se diversifica pela geografia, pela realidade social e contextual. Por isso, a escola que propõe ensino inclusivo e igualitário busca compreender diferenças linguísticas a partir da análise das desigualdades econômicas, sociais e políticas da sociedade e do ambiente em que o aluno vive. Segundo Silva (1999, p.177), uma ação educativa comprometida com a cidadania deve, necessariamente, oportunizar o convívio com a diversidade, sendo esta um marco da vida social brasileira. Essa diversidade, explica a autora, inclui não somente as diversas culturas, hábitos e costumes, mas, também, as particularidades de cada estudante. Aprender a conviver com pessoas diferentes, que possuem expressões culturais e sociais próprias é condição essencial para o desenvolvimento de valores éticos como o respeito ao outro, igualdade, equidade e solidariedade.


Frente a essa diversidade, o professor tem um papel fundamental, levando o aluno a uma aprendizagem mais significativa, cobrando quando necessário, fazendo com que todos aprendam.


A linguagem e a aprendizagem estão interligadas socioculturalmente em suas particularidades e afinidades. ”Saber uma língua, significa conhecer intuitivamente e empregar com naturalidade as regras básicas de funcionamento dela”. (BAGNO, 1999, p. 35). Com isso, o autor nos remete a uma deficiência linguística, pois a língua falada é a língua que foi aprendida pelo falante, revelando assim, que não há homogeneidade em seu emprego, mas pode ser entendida como caracterização do homem, em sua diversidade e a possibilidade de mudança.


 O impacto e rapidez com que as informações chegam são superiores à capacidade de processamento das mesmas pelo ser humano. Isso tem gerado, na grande maioria, um sentimento de insegurança, inadequação e angústia frente às múltiplas solicitações do seu entorno. Enfrentar o novo constitui-se, em geral, em um desafio, despertando diferentes reações, conforme os recursos disponíveis e competências já desenvolvidas. Resgatar a aprendizagem e a linguagem parece indicar a direção a ser tomada. Desse modo, entende-se que se está apenas começando uma etapa, pois, pela perspectiva adotada, sabe-se que aprendizagem é um processo dinâmico que deve ser continuamente realimentado.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

http://pt.wikipedia.org/wiki/Socioling.

BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico. São Paulo: Edições Loyola, 1999

VOTRE, Cesario.2009

SILVA, Margarete Leal da (Coord.). Conhecimentos Gerais e Pedagógicos: Diferenças entre Princípios de Normalização e Inclusão. Santa Cruz do Sul, 1999.

Lucelia Maria Bertani, Graduada no CURSO DE LETRAS Centro Universitário da Grande Dourados-UNIGRAN.