Artigo

A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR E BRINQUEDOS NAS BRINCADEIRAS

Por Informativo Regional

- Professora Cristiane Moraes de Loreno


Quem nunca brincou quando era criança? Dificilmente alguém tenha passado pela infância sem ter brincado. Os jogos, as brincadeiras, os brinquedos enfim atividades lúdicas acompanham o desenvolvimento da civilização humana desde os seus primórdios. Em Homo Ludens, Huinzinga (1980) argumenta que o jogo puro e simples é o princípio vital de toda a civilização, é uma função da vida.

Vários estudiosos estudaram o ato de brincar, muitas referências diferentes surgiram sobre o conceito de brincar, porém não precisamos ir a fundo para saber que brincar é uma interessante forma de comunicação. O ato de brincar possibilita o processo de aprendizagem da criança, facilita o processo de construção da reflexão, independência e criatividade nas mais diversas viagens no faz de conta. Dentro das brincadeiras entram os jogos e sua diversidade assim como muito aprendizado.

Os brinquedos e brincadeiras que fizeram parte da nossa infância bonecas, petecas, corda, pião, esconde - esconde pega- pega, bolas, já não são os mesmos nem acontece da mesma maneira, pois á 20 anos quando dizíamos para nossos pais que íamos brincar, eles já sabiam que tais brincadeiras aconteciam na rua, com os vizinhos, amigos ou colegas de maneira livre e sem perigos trepando em árvores, correndo de bicicleta, disputando uma pelada, pega- pega e se a noite chegava não tinha problema não, tudo certo, não se tinha com o que se preocupar , ficar horas sentados na calçada conversando , rindo era normal e natural naquela época, vivenciamos uma infância prazerosa cheia de perspectivas, sonhos, aprendizados, tombos, joelhos ralados, porém o tempo passou e hoje nossos alunos e filhos vivem outra infância, parece que as bonecas, carrinhos, cirandas, amarelinha e tantos outros brinquedos e brincadeiras entraram em extinção e para substituir estes vieram os telefones, computadores, vídeos games, jogos eletrônicos, entre outros.

Lá fora que antes era super tranquilo ficou muito longe daquela realidade, pois hoje em dia vivemos fechados em nossas casas com grades, alarmes, portões chaveados por conta da violência rotineira da qual estamos acostumados a vivenciar, pedofilias, estupros, bullyng, roubos de crianças, entre outros problemas. Com os pais cada vez mais ausentes por conta da vida corrida e concorrida no mercado de trabalho, as crianças compartilham de dias e mais dias enclausurados em casa fechados em suas casas jogando play, jogos eletrônicos, etc. Às vezes sem se dar conta que esse mundo virtual é muito traiçoeiro, pois pessoas estranhas podem trazer má influência às crianças inclusive praticando algum tipo de maldade.

Recentemente houve uma avalanche de transtornos com um joguinho chamado “caça ao Pokémon”, onde as crianças saiam sem destino com o telefone à caça e cada vez que caçavam avançavam no jogo do desafio, houve muita dor de cabeça aos pais em decorrência de situações nas quais as crianças desapareceram ou se machucaram caçando o Pokémon, pelos registros aconteceu até morte, pois uma criança se desiquilibrou caindo na água como não sabia nadar se afogou. Esse jogo ainda foi leve perto do jogo do desafio que criança aceitava se desafiar e a prova era se asfixiar, outro perigo foi o jogo da “baleia azul”, também desafio onde o participante se submetia á vários desafios e também recebia ameaças para cumprir e acabava botando sua própria vida e também de outras pessoas em jogo.

Em se tratando de riscos virtuais, é preciso alertar para os casos de pedofilia e abusos que acontecem virtualmente. Dessa forma podemos perceber que a infância de ontem não é a infância de hoje, muita coisa mudou, os brinquedos eram mais seguros há anos atrás e com certeza mais prazeroso, as crianças se integravam mais e hoje estão isoladas nesse mundo corrido e perigoso. Brincadeira de Passatempo ficou para trás.

Os adultos devem proporcionar tempo para as crianças brincarem e também liberdade para que elas escolham as suas brincadeiras. Por meio da brincadeira, a criança faz a transposição da vida real para um universo imaginário, permitindo que elas atuem de forma diferente à relação ao que veem. É através do faz de conta que o desenvolvimento pode alcançar níveis mais complexos com a experiência de integração entre eles (crianças) dentro de situações que envolvem a negociação de regras de convivência.

Papai, mamãe, vamos proporcionar a nossos filhos uma infância colorida cheia de brincadeiras, resgatar aquelas antigas brincadeiras para alegrar nossos pequenos e assim doar nosso tempo em nome da segurança e do crescimento saudável desses pequenos e pequenas.

Já dizia Carlos Drummond de Andrade brincar com criança não é perder tempo, é ganha-lo, se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis sem valor para a formação do homem.