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Região está vibrando

Por Informativo Regional

Com a notícia da instalação da empresa Vibra em Soledade, toda região será impactada economicamente. Isso se dá devido à abrangência que a cadeia produtiva da empresa possui, que envolve todos os setores do comércio, em diferentes esferas.

A Vibra é uma das principais produtoras e exportadoras brasileira de carne de frango. Como parte das estratégias de crescimento e da joint venture com a Tyson Foods, a empresa assumirá o controle do frigorífico Somave a partir do segundo semestre deste ano, quando terá a bandeira Vibra.

A empresa, que nasceu e tem sede em Montenegro, na Região Metropolitana, e com outras unidades pelo país, adquiriu uma planta de produção de aves no município, com expectativa de produzir 8 mil toneladas de frango por mês.

Conforme o diretor-presidente da Vibra, Gerson Luis Müller, serão gerados 1,5 mil empregos diretos e integrados mais de 250 produtores à cadeia produtiva. Além disso, a empresa pretende investir em uma fábrica de rações, um incubatório e um frigorífico de processamento de aves.

"Mesmo neste momento sensível que o mundo está passando, continuamos investindo e voltando nossos esforços para o fortalecimento da cadeia produtiva no Brasil", afirmou Gerson.

A atual vice-prefeita, e na época, secretária da Industria, Comércio, Serviços e Turismo de Soledade, Marilda Borges Corbelini, falou acerca da negociação. “Os primeiros contatos com a Somave aconteceu em meados de 2015, através de um representante, em que atendi e apresentei-o ao prefeito. Ao iniciar as conversas, fomos até a Cidade Gaúcha/PR para conhecer a unidade da Somave e um dos proprietários, visto que ficamos fascinados com a organização e seriedade dos envolvidos na empresa. Depois disso, avançamos as negociações e a Somave fez um projeto e enviou para a FEPAM (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), com intuito de construir em uma área do bairro Botucaraí”, explicou ela.

“Com isso, a planta poderia ser aprovada naquele local, mas eles não poderiam ampliar a empresa devido a vasão do rio. Com essa negativa da FEPAM, e com objetivo da Somave crescer em Soledade, nós tivemos que ir atrás de outra área. Para isso, fomos em direção a Passo Fundo e encontramos uma área perto do rio Espraiado, que tinha uma boa vasão e os proprietários aceitavam vender, mas não podíamos aproveitar, pois aquela água abastece a cidade. Diante disto, nos deslocamos no sentido de Barros Cassal e não encontramos um rio que cedesse e o suporte necessário”, lembrou Marilda.

“Por fim, fomos para o lado de Espumoso, onde visitamos vários locais e fizemos medições. Com isso, convidamos o Nei, do Posto do Nei e fomos conhecer o dono de todas aquelas terras. Nisso, chegamos ao Régis, a pessoa responsável pelas terras dos familiares da casa branca, então o chamamos aqui e ele entrou em contato com a família, que aceitou fazer a venda, perto do rio e com a vasão necessária que precisávamos”, relatou a vice-prefeita aduzindo que a Somave adquiriu a área com recursos próprios e o Município incentivou com um valor dividido em 10x de 55 mil, que foi pago após o término da construção.

“Dessa forma, com a vinda da Somave, tínhamos a convicção que essa empresa nos renderia bons frutos, pois ela veio com a intenção de ampliar seus negócios. Com isso, tivemos a grata surpresa de ter a Somave aliada à Vibra que, justamente pela Somave ter uma planta nova, não ter passivo e ter uma produtividade muito boa, acharam que seria a empresa ideal para negociar”, enfatizou Marilda.

O Doutor em Zootecnia e professor adjunto do departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas da UFSM (campus Palmeira das Missões), Rodrigo Borille, explicou acerca de como esse investimento movimentará os diferentes setores e mercados de Soledade e região.

“Esse investimento movimenta todo o comércio de uma forma geral. Inicialmente a população perceberá que serão movimentados os comércios voltados para materiais de construção como alvenaria, materiais elétricos e hidráulicos, pois eles entram em todos os setores, desde a construção e manutenção dos aviários para a criação dos frangos nas propriedades rurais, bem como, na construção da estrutura do incubatório e do frigorífico, onde são feitas implantações e manutenções. Já o comércio de equipamentos, é mais mobilizado no início, na implantação, porém, como a empresa nunca se estabiliza, e está sempre aumentando a prospecção de novos integrados e atualizando suas formas de produção, acaba movimentando esse mercado constantemente. Além disso, tem a aquisição e manutenção/troca dos equipamentos que quebram, e nisso, entra o silo, a tela, a lona, os painéis digitais e elétricos, os controladores de ambiência (como ventiladores, exaustores, placas evaporativas), materiais elétricos e hidráulicos, entre outros”, frisou ele.

“Da mesma forma, aparecem os serviços técnicos diretos que a empresa contrata, como os zootecnistas, veterinários, administradores, técnicos agrícolas, consultores de meio ambiente e os cargos técnico administrativos. Ainda, temos os serviços indiretos que vão surgindo conforme a demanda do sistema, por exemplo, podemos citar que um indivíduo é formado em zootecnia ou veterinária e decide abrir uma empresa de consultoria para os produtores aumentarem os índices produtivos, ou começa com a venda de produtos, ou seja, abrange todo esse serviço de consultoria indiretamente”, destacou Borille.

“Já a indústria metal e mecânica fornece serviços de produção e manutenção tanto para equipamentos que são utilizados dentro de toda cadeia produtiva, como para os veículos que são utilizados para o transporte de rações e insumos, animais, produtos e equipamentos, pessoas, e estruturas, ou seja, essa parte também está muito envolvida direta e indiretamente. Neste sentido, podemos perceber que a cadeia produtiva do frango necessita também de diversos insumos que acabam envolvendo o comércio, estes insumos são aqueles elementos que contribuem para a produção do produto ou realização do serviço, e assim podemos citar o fornecimento e o transporte de maravalha que é utilizada na composição da cama de frango, os combustíveis, a lenha, a energia elétrica, o milho e o farelo de soja (e demais constituintes da ração), os desinfetantes, EPIs, vestuários, entre outros produtos que poderão ser movimentados na região se houver a disponibilidade”, enfatizou.

“Além disso, temos os serviços de logística e transporte em geral, pois haverá o deslocamento de pessoas de incubatório e frigorífico para casa e vice-versa, transporte de animais do incubatório para os aviários e dos aviários para o frigorífico, e ainda dos ovos do matrizeiro para o incubatório. Além do transporte de mercadorias, como o milho e o farelo de soja, a ração que vai para o aviário, e a distribuição dos produtos finais, que seria o transporte da carne de frango e derivados que são produzidos no frigorífico. Deste modo, movimentando o comércio do combustível, da mecânica, dos pneus e autopeças”, citou Rodrigo.

Conforme ele haverá uma vasta geração de empregos diretos e indiretos em toda cadeia produtiva. “Por exemplo, no setor imobiliário, na construção civil, na prestação de serviços e até mesmo daquela pessoa que é contratada para fazer serviços na casa do empregado da empresa. Portanto, esse investimento vai aumentar a demanda por empregos na região, aumentando também a população da cidade, o que acaba gerando uma demanda por casas e apartamentos para alugar, além do setor alimentício que é indispensável, como o supermercado, o restaurante, e os bares, que terão um aumento no consumo de seus produtos, bem como os serviços bancários e burocráticos, como financiamentos, linhas de crédito, entre outros. É muito importante ressaltar que um investimento desta magnitude acaba aumentando a arrecadação de impostos para o Município, que é uma contribuição que deve retornar para a população como bens e serviços prestados pelo poder público a sociedade”, pontuou Rodrigo Borille.