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De forma pioneira, agricultores plantam pitaia em Soledade

Apesar de ser originária de outros países, a planta se adaptou ao solo gaúcho e está sendo cultivada para comercialização

Por Informativo Regional

Conhecida como “fruta do dragão” por seu aspecto exótico e cores vibrantes, a pitaia tem conquistado espaço de cultivo no Estado. Ainda tida como uma novidade entre os produtores, a fruta possui um sabor adocicado e aparência exótica.

Sendo os pioneiros no cultivo desta diversidade, a cerca de três anos, os produtores Lucas Muniz e Bruna Miranda da Silva, da comunidade de Santa Terezinha, interior de Soledade, apostaram na produção de pitaia, uma fruta nativa da América Central e México.

A propriedade em que o casal e a filha moram não é herança, mas vem de família, já que a terra era do avô materno de Lucas. “Meu pai ia ficar com ela, pois tinha construído uma casa logo a frente para morar. Porém, meu avô paterno veio a falecer e meu pai foi morar lá. Desta forma, eu e minha esposa queríamos construir nossa família e precisávamos de um lugar, e como eu gostava desta terra, negociamos com meu avô, pois meu pai comprou, mas não tinha papel da área. Eu comprei, mas queria documento e fizemos um acordo, parcelamos em três anos e financiamos a casa”, lembra Lucas.

Hoje, na propriedade em que moram, o casal produz o próprio sustento e aposta na espécie, por exemplo, na cultura da pitaia, uma fruta que não é comum na região. “Tudo começou quando minha mãe foi visitar uma tia em Tio Hugo, e através dela, ficamos sabendo sobre o cultivo da pitaia. Com isso, fomos atrás e buscamos estudar para implantar essa cultura aqui, onde visitamos alguns produtores da fruta em Arroio dos Ratos, Vale Verde e Muçum”, aduziu Bruna.

Desde o início, o casal teve que fazer adaptações para poder produzir a fruta, já que essa diversidade não é comum na região e tem preferência ao clima quente e seco, não gostando de temperaturas baixas. “Em Arroio dos Ratos, visitamos um produtor que estava com dificuldades no plantio devido ao frio. Ele estava testando algumas alternativas, tentando cobrir com TNT e lona. Nós, desde o começo, queríamos montar um controle para geada, pois já tínhamos visto em outros lugares, mas o professor que nos orienta disse não era necessário, já que segundo ele, a fruta iria criar uma resistência própria ao passar do tempo. Porém, não aconteceu desta forma e, no nosso primeiro ano de cultivo, tivemos que cobrir, pois foi um ano de muito frio, mas mesmo assim as plantas foram queimadas e perdemos quase 300 mudas”, contou Lucas.

Buscando alternativas para solucionar o problema do frio, os produtores foram em busca de novos conhecimentos para a cultura. “Em Santa Catarina, havia um produtor com o mesmo problema, mas no ano em que passamos por isso, ele postou alguns vídeos fazendo um controle por irrigação. Com isso, em uma parceria com a Emater, fizemos um projeto de irrigação, estudamos e analisamos novas possibilidades. Conversando com o produtor, ele nos disse que se tivesse água e motor, usaria um aspersor potente, com uma garoa maior. Diante disto, fizemos um projeto, onde entramos em contato com os profissionais da irrigação e eles nos passaram o orçamento. Solucionamos o problema do inverno com o aspersor e, agora, não estamos mais tendo dificuldades neste ponto”, salientou o agricultor.

“A pitaia não produz o ano todo, mas poderia, porque na região temos invernos que diminuem a quantidade de luz, e essa fruta precisa de 12h de luz solar para produzir. A nossa maior colheita foi agora, pois esse é o nosso terceiro verão, ou seja, são três anos cultivando essa fruta. Estamos na terceira florada, com poucos botões, pois ela ainda não se definiu, já que é um pomar novo e tem muito a melhorar”, considerou Bruna.

Com ½ hectare plantado, os produtores acreditam que neste ano colherão cerca de dois mil quilos da fruta. Ao falarem sobre a comercialização da pitaia, Bruna destaca que inicialmente o objetivo é da venda particular, direto para o consumidor final. “Mas se não conseguirmos, já conversamos com alguns mercados e fruteiras. Além disso, com a rota do cicloturismo, vamos poder comercializar nossos produtos aos ciclistas, além de divulgar porque o pessoal do ciclismo possui uma alimentação saudável e a pitaia traz benefícios para a saúde”, ressaltou.

A pitaia ajuda na prevenção e controle de doenças crônicas, ajuda a combater o câncer, doenças cardíacas e melhora a pressão arterial. Segundo os produtores, é uma fruta saudável, que dispensa uso de agrotóxicos. “As pessoas podem contar com um produto saudável, isento de venenos”, disse o casal.

Com 4.3 hectares, os produtores investiram e hoje tiram o próprio sustento da propriedade. “Muitas pessoas falam que não é viável ter a quantidade de terras que temos, mas estamos provando o contrário. Temos um hectare de feijão e nogueira; 800m² de estufa; 2.000m de horta, com uma vasta diversificação, onde produzimos rúcula, tempero e couve para Soledade e beterraba, brócolis, couve-flor, feijão de vage e mandioca para Ibirapuitã”, explicou Bruna.

“Para a irrigação e implantação do cultivo da pitaia, fizemos um investimento de mais de 60 mil e, na horta, temos investimentos de 55 mil. Acredito que o nosso período ruim estamos passando agora, pois nossos investimentos são para longo prazo. Mas assim como na agricultura, todas as atividades precisam de incentivos e investimentos, pois caso contrário, não teremos retorno”, relatou Lucas.

Para os investimentos e negócios na propriedade, o casal trabalha junto com a Sicredi, através da agência de Ibirapuitã. “Para a cultura da pitaia, tivemos que introduzir e mostrar o cultivo, pois maioria não sabe bem como é ao certo. Mas o Sicredi foi nosso parceiro de primeira, onde nos incentivou para a implantação e mesmo não dando tão certo nossa ideia de cobertura, a cooperativa nos ajudou com a irrigação, através de recursos. Somos associados do Sicredi e nos sentimos felizes por isso, pois temos nossa filha Laura, de quatro anos, e queremos ter uma propriedade boa, com ambiente bom. Começamos com uma horta, plantando salsa e tempero com incentivo dos nossos vizinhos da família Gasparin, e tudo começou a prosperar e hoje tiramos uma média boa mensalmente”, finalizou o produtor. 


Fotos: Divulgação