Rural

Triticale passa a ser opção para produtores da região

Municípios já estão aderindo à essa cultura de inverno, que no próximo ano deve estar presente em maior escala nas propriedades de agricultores soledadenses

Por Keilly Camargo

Com objetivo de incentivar a produção de grãos no período de inverno e criar alternativa para auxiliar na alimentação animal, a empresa Leaf Biotecnologia, juntamente com a BRF e JBS, estão implantando um projeto na região para o cultivo do triticale.

Para isso, representantes da Leaf já estiveram visitando alguns municípios, como Ibirapuitã, Mormaço e Tapera. Da mesma forma, vislumbrando a oportunidade de abranger Soledade, na tarde de segunda-feira, 10/05, a empresa esteve apresentando o projeto e a cultura no município, através de uma reunião com entidades representativas dos produtores.

A reunião contou com a presença do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Soledade e Mormaço, Alessandro de Miranda Gasparin; representando o departamento técnico do STR, estavam Romeu Scipione e Hallan Laindorf; o engenheiro agrônomo da Emater de Soledade, Roger Terra de Moraes; a agrônoma Maristela Pederiva representando a Secretaria Municipal da Agricultura; alguns agricultores e os representantes da empresa Leaf Biotecnologia.

O triticale é um grão produzido como fruto do cruzamento entre o trigo e o centeio. Esse grão permite a manutenção da palhada nos solos mais fracos ou arenosos, contribuindo amplamente com o sistema de plantio direto. É considerada uma espécie muito tolerante a estiagem, com boa resistência a solos ácidos, pobres, arenosos e com presença de alumínio, além de ser uma cultura tolerante a temperaturas mais baixas.

Esse grão é basicamente utilizado para nutrição animal e em menor quantidade para alimentação humana, dispensando o uso de determinados aditivos, que por sua vez, seriam necessários quando esses alimentos são produzidos somente com trigo.

Conforme o presidente do STR, Alessandro de Miranda Gasparin, em virtude da proximidade da época do plantio e a pouca disponibilidade de sementes, neste ano a área de cultivo em Soledade será pequena. “Para 2022, temos a expectativa do aumento da área de produção, com movimento e adesão de mais produtores, pois é uma alternativa para o inverno e que vem a se somar com a produção do trigo e aveia. É uma cultura rústica, de fácil manejo e que traz viabilidade econômica e financeira para os agricultores”, disse ele.

Alessandro destaca que todas as orientações e informações acerca do cultivo do triticale serão repassados para os produtores que possuem interesse na diversidade, principalmente para o próximo ano, já que o período de plantio está muito próximo.

O sócio diretor da Leaf Biotecnologia, Rogério Ferreira, falou sobre a produção do triticale, sua rentabilidade, manejo e características. “O triticale possui um alto teor de proteína, se igualando ao milho, e que vem exatamente para suprir a necessidade da falta deste grão com qualidade. A JBS e BRF são nossas parceiras neste projeto, as quais nos garantiram preço fixo de compra, que gira em torno de 68 reais por saca para pelo menos 50% da produção por hectare, e o excedente, ou seja, os outros 50%, a sugestão é que fique atrelado a 80% do preço do milho, na ocasião da venda”, explicou ele.

O triticale, segundo Rogério, é um material para ração, sendo uma cultura rústica, tolerante a geadas e doenças, além de ter facilidade de manejo. “Essa diversidade possui teto produtivo, segundo a Embrapa e nosso acompanhamento a campo, de aproximadamente 85 sacas por hectares”, acrescentou.

Falando acerca da parte prática do projeto, em especial para os agricultores, Rogério enfatiza que a empresa possui um representante comercial na região. “Pedimos para que os interessados entrem em contato conosco o mais breve possível, pois já estamos próximos ao período de plantio, que se dá a partir de 1º de junho. Assim, poderemos estar fazendo a contratação via contrato, para que o produtor tenha garantia da compra e preço da sua produção. Para conhecimento do agricultor, fizemos uma estimativa de em torno de 29 sacas de triticale por hectare, dentro deste, já está incluído o seguro, o qual cobre aproximadamente 1.850 reais. Esse seguro é optativo, onde o produtor pode escolher se quer ou não. Quanto a logística, temos pontos de recebimento do grão em Mormaço e Ibirapuitã, e conforme a demanda para Soledade, vamos estar analisando um ponto de concentração para recebimento do grão aqui”, pontuou o sócio diretor.


Fotos: Keilly Camargo