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Escolas passam por avaliação nutricional

Espumoso

Por Keilly Camargo

As escolas da rede municipal de ensino de Espumoso passaram por uma pesquisa de levantamento nutricional dos alunos que frequentam os educandários. A avaliação apontou um alto índice de sobrepeso e obesidade, sendo que foi realizada pela nutricionista Ketty Pinto Corazza e a estudante de nutrição Ingrid Lamel.  

Conforme a nutricionista Ketty, a pesquisa foi realizada durante o primeiro semestre do ano, desde que as aulas presenciais retornaram. “Nosso intuito foi avaliar os efeitos de todo o período em que as crianças estiveram em casa, e observamos nas primeiras visitas que os alunos não estavam se alimentando com o cardápio de rotina das escolas. Eles estavam consumindo muito menos frutas e verduras, além de que observamos um aumento considerável de peso, mas precisávamos de dados para comprovar essa questão”, destacou.

Pensando na possibilidade de fazer essa avaliação, a nutricionista se reuniu com os professores de Educação Física das escolas para realizar a coleta do peso e altura de todas as crianças. De acordo com Ketty, são 578 alunos matriculados do nível A ao 5º ano, que foi a faixa etária abrangida na pesquisa. “A partir disso, fizemos a tabulação dos dados levantados através do SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) disponibilizado pelo Ministério da Saúde, onde tivemos acesso aos dados de todas as crianças por meio do Cartão SUS. Com isso, surgiram as avaliações nutricionais, as quais nos surpreenderam, pois conseguimos uma amostragem de 85% dos alunos que frequentam as escolas, ou seja, 497 alunos de quatro a onze anos em média, onde constatamos que 46% estavam com algum problema em decorrência da alimentação”, explicou Ketty.

A estudante de nutrição, Ingrid Lamel, salientou que as porcentagens obtidas são alarmantes, em virtude de que se tratam de crianças. “Essa situação deve ser levada muito em conta, principalmente pelos pais, pois é nessa fase que acontece a formação dos bons hábitos alimentares das crianças, assim como daqueles hábitos não tão bons assim. Nossa função, enquanto nutricionistas, é de estar atuando nas escolas com papel de vigilante, intervindo em determinadas incoerências”, considerou ela.

Através da pesquisa, segundo Ingrid, foram encontradas 20.5% de crianças com sobrepeso. Também, foram constatados 64 alunos com obesidade, ou seja, 12.8 %, e 29 com obesidade grave, chegando ao percentual de 5.8%. “A obesidade grave para crianças se encaixa como obesidade mórbida, sendo um estágio mais elevado do que a obesidade, que pode estar afetando a saúde destas. Depois que todos os alunos foram avaliados, nós demos um retorno aos diretores das escolas a fim de que repassem aos pais das crianças. Junto com a avaliação, também desenvolvemos uma pequena orientação básica, que não substitui o acompanhamento com o profissional nutricionista, mas para guiar os pais em relação aos hábitos alimentares”, ponderou a estudante de nutrição.

Prejuízos na aprendizagem

A nutricionista Ketty Pinto Corazza salientou que o excesso de gordura e de açúcar na alimentação pode aumentar os níveis de ansiedade, irritabilidade e hiperatividade das crianças. “A gente percebe uma leva de alunos super agitados, irritados e sem controle emocional. E a partir de vários estudos, podemos dizer que o excesso de gordura e de açúcar na alimentação acaba aumentando os níveis de ansiedade, irritabilidade e hiperatividade, que são os maiores problemas que enfrentamos atualmente nas escolas. Em decorrência disso, obviamente vamos ter deficiência de aprendizagem e falta de atenção”, complementou Ketty.

Da mesma forma, ela destaca que o excesso de peso na infância e prolongado até a vida adulta danifica e acaba gerando problemas no sistema imunológico, cardiovascular, de coração, colesterol, triglicerídeos, diabetes. “Essas situações normalmente iniciam nesta fase, enquanto são crianças, por isso a importância de se fazer um trabalho preventivo, a fim de evitar que na vida adulta tenha esses tipos de problemas. Com a pandemia, observamos que o sistema imunológico e a alimentação são primordiais para que tenhamos uma manutenção de saúde. E observamos que as pessoas acima do peso também têm o indicativo de risco para o coronavírus, e isso caba sendo mais um fator preocupante. Por isso, reforçamos a importância de as famílias buscarem orientações acerca da educação alimentar e nutricional”, pontuou a profissional.